terça-feira, 21 de maio de 2013

Cavaco Silva, um político cobarde


Henrique Raposo
No dicionário da língua portuguesa, com ou sem acordo, só há uma palavra para descrever a acção política desse grande presidente de junta chamado Cavaco Silva. A palavra é cobardia. Muitos políticos à esquerda, assim ao estilo de Alegre ou Arnaut, nem sequer percebem aquilo que se está a passar. As suas declarações têm o lastro da inconsciência. Com Cavaco Silva, o assunto muda de figura. O sôr presidente sabe que os problemas existem, mas não tem coragem para os enfrentar. Resultado? Na hora h, coloca-se sempre ao lado da reacção às medidas difíceis, toma sempre o lado do status quo que está a afundar Portugal. Pior: tem a presidencialíssima lata de legitimar essa posição reaccionária com um suposto patriotismo. Cavaco julga que fala em nome da pátria, ou melhor, julga que a pátria fala através da sua esfíngica figura. Lamento, mas os discursos de Cavaco Silva não são a tradução do estado da alma da pátria. Aliás, as declarações do Presidente Cavaco Silva representam, cada vez mais, a visão pessoalíssima do reformado Cavaco Silva.

Eu não acredito que Cavaco Silva não sabe como é que funciona o sistema de segurança social em Portugal . Portanto, quando diz que as pensões são intocáveis, o Presidente não está a negar o problema através da inconsciência. Está a negá-lo através da cobardia política. Cavaco não quer ficar com o ónus que resultaria da seguinte declaração: "caros reformados, lamento mas os sistemas de segurança social deixaram de ser sustentáveis e justos; dizer o contrário é estar a enganar as pessoas". No fundo, o inquilino de Belém não quer ser um dos mensageiros do mal, porque sabe que a maioria das pessoas vai odiar o mensageiro e fingir que o mal não existe. O que é uma pena. Este tempo delicado pedia um Presidente com uma coragem à Silva Lopes. Sim, o Presidente da República Portuguesa devia ter a coragem de dizer que as reformas mais altas têm de ser cortadas, porque a geração grisalha não pode continuar a asfixiar o presente e, acima de tudo, o futuro das gerações mais novas. Mas, lá está, Cavaco está mais interessado na sua popularidade. E - pior ainda - continua a dar a impressão de que está mais preocupado com a intocabilidade da sua pensão do que com a resolução do problema geracional da segurança social.

Ainda por cima, o seu discurso recorre a um vago "grupo social", os "reformados". Com esta artimanha, Cavaco procura criar a imagem do pobre velhinho a sofrer um corte na reforma de 400 euros. Sucede que esta imagem não corresponde à realidade. Os cortes nos subsídios de férias que foram negados pelo TC abrangiam apenas 10% dos reformados, aqueles que recebiam uma pensão acima dos 1300 euros. E, agora, qualquer plano decente de cortes tem de obedecer ao princípio da progressividade. Por outras palavras, os grandes alvos dos cortes eram e continuam a ser as reformas de Cavaco Silva e demais reformados de luxo. O velhinho dos 400 euros não entra nesta história. Não entra, mas tem dado jeito à demagogia de Bagão Félix, Ferreira Leite e Cavaco Silva, o presidente dos Drs. Pinhais desta vida.