segunda-feira, 20 de maio de 2013

Prostituição em Cannes move mais dinheiro do que o cinema

Empresário líbio condenado por proxenetismo em França diz que saía de Cannes todos os anos com mais 200 mil euros na conta.

Quem pensa em Cannes, normalmente pensa no festival de cinema realizado na cidade todos os anos (ou, em alternativa, em iates), mas não costuma pensar em algo que um empresário líbio diz que "move mais dinheiro do que a venda de filmes": a prostituição.


Elie Nahas tem 49 anos e foi condenado em França, em outubro do ano passado, a oito anos de prisão por proxenetismo e terá de pagar uma multa avultada, de 50 mil euros, por coordenar uma rede de prostituição de luxo que envolvia 50 mulheres e outros sete acusados, de acordo com a justiça francesa.
Contudo, o agente de modelos não está na prisão: está atualmente refugiado em Beirute, capital do Líbano, onde foi entrevistado pelo jornal espanhol "El País".
A ligaça de Nahas a Cannes começou em 2002, não através do cinema, mas de Mutasim Gadafi - entretanto morto -, um dos filhos do ditador líbio Gadafi, que "organizava concursos de beleza no Líbano" e que disse a Nahas "que precisava da sua ajuda na Europa para convidar mulheres belas para as suas festas", segundo o próprio.
A partir daí, o empresário passou a ser o "homem do dinheiro" e organizava todas as estadas de Mutasim em Cannes, com dezenas de mulheres a serem contratadas para 'embelezarem' o 'Che Guevara', iate do filho de Gadafi ancorado na cidade francesa. "Cada uma cobrava mil euros por mostrar os dentes", conta ao "El Pais". "Estar ali, sorrir, dançar e beber", acrescenta.
"Se alguma delas fazia alguma coisa e cobrava cinco ou seis mil euros, não tenho nada a ver com isso" 
Elie Nahas chegou a receber, aliás, 1,5 milhões de dólares (cerca de um milhão de euros) por organizar uma festa de aniversário de Mutasim, em Marrocos, em 2004. Em Cannes, os pagamentos também eram generosos, mas o empresário insiste em dizer que apenas tinha um serviço de escorts, isto é, de acompanhantes, e não de prostituição.
"Cannes é a cidade com as escorts mais caras. O que na rua custa 50 euros, ali ascende a 500 ou mil euros", começa por explicar. "O festival de cinema é a época em que há mulheres mais bonitas. Se alguma delas fazia alguma coisa e cobrava para ela cinco ou seis mil euros, não tenho nada a ver com isso".
Mas as autoridades francesas acharam que Nahas era o 'cabecilha' de um rede organizada de prostituição, pelo que, em 2007, detiveram-no no luxuoso Hotel Carlton, em Cannes. Ficou em prisão preventiva durante 11 meses, até o caso ser encerrado por falta de provas.
Em 2008, regressou a Beirute e, quatro anos mais tarde, a justiça francesa voltou a acusá-lo. Não regressou a França, pelo que foi condenado sem estar presente no julgamento, ainda que os seus advogados tenham apresentado um recurso.
A partir do Líbano, confessou ao "El País" que não planeia voltar à Europa, para evitar a Interpol... e não só. "O mundo das modelos está cheio de belas mulheres, mas é um negócio muito sujo", diz.
Expresso