quinta-feira, 27 de junho de 2013

A rua tem consequências anti-rua

O problema dos protestos que originam cedências por parte dos decisores políticos, como os que se observam agora no Brasil, está na capacidade dos decisores em usarem poder para interferir directamente com exigências dos sectores.
Uns querem mais escolas, outros querem mais hospitais, outros querem ainda transportes gratuitos. Como se conjugam esses interesses com recursos finitos?
Com intervencionismo não se conjugam: o que é alocado para transportes não é alocado para educação e vice-versa. O crescimento da carga fiscal necessária para suportar mais e mais estruturas torna-se incomportável e o propósito artificial de redução de desigualdade, perversamente, apenas a acentua: mais e mais impostos são usados – retirando-os aos que podem criar emprego para suportar funcionários públicos, que não geram riqueza, como forma de suportar esse estado social – isto fazendo com os que têm menos recursos percam a possibilidade de os obterem com a única forma verdadeiramente eficaz de distribuição: através de salários.
O que estamos a assistir é o socialismo a engolir-se a si próprio. E é só a 765ª vez na história recente. A consequência disso é tornar-se necessário conter o descontentamento disperso, não liderado, ultra-revindicativo, com formas crescentemente repressivas. Não há nem nunca houve refeições gratuitas.