quarta-feira, 12 de junho de 2013

Ecrã negro na televisão pública grega

Para o jornal diário Eleftherotypia, o encerramento da radiotelevisão pública grega ERT, algumas horas após ter sido perpetrado sem pré-aviso pelo Governo, a 11 de junho, não é nem mais nem menos do que uma “condenação à morte”. Às 23 horas os gregos descobriram de uma forma brutal o vídeo de despedida dos jornalistas da cadeia que, num gesto inédito – não apenas para a Grécia – foi encerrada pelo Governo num piscar de olhos, escreve este jornal. Ao saber da notícia milhares de pessoas saíram à rua e manifestaram-se em frente à ERT. As televisões privadas suspenderam, em sinal de solidariedade, as suas emissões durante algumas horas.


De acordo com o Eleftherotypia o gabinete do primeiro-ministro há muito que tinha esta decisão em mente, até porque acreditava que ao encerrar este organismo público poderia resolver a questão do corte de dois mil funcionários imposto pela troika. Na verdade, com este gesto, enviou para o desemprego 2656 pessoas.
Para o diário de Atenas, esta decisão precipitada constitui um

enorme problema democrático que destrói o pluralismo da informação. O povo grego tem o direito e deve ter uma televisão pública aberta, imparcial e de qualidade.

“Havia muitas coisas que não estavam a correr bem na ERT”, reconhece por seu lado I Kathimerini:
Durante muito tempo foi tratada como a maioria do setor público pelos sucessivos governos, que consideravam que tinham um público para manter e dinheiro para gastar. As suas 19 rádios locais padeciam de uma má gestão simplesmente incomportável. [...] Mas também existiam muitas razões para acarinhar a ERT: continuava a produzir documentários excecionais, numa altura em que, na Grécia, mais ninguém o fazia. As suas estações difundiam tipos de música que outros não teriam posto no ar.
Sobre a forma como foi feito, o diário económico denuncia que não houve
nem debate no parlamento, nem debate público, nem autorização dos parceiros de coligação da Nova Democracia, os Socialistas e a Esquerda democrática. Tudo isto foi substituído por um decreto-lei que foi aprovado. [...] O porta-voz governamental pode assim anunciar que a ERT se tinha tornado num poço sem fundo, que devorava €300 milhões por ano e era objeto de má gestão e de ineficácia em vez de produzir bons programas. [...] A ERT era uma das inúmeras questões que os partidos queriam esconder debaixo do tapete. Que melhor forma de proceder ao encerramento de empresas na mesma altura em que a troika [os credores] está em Atenas e questiona a promessa da coligação de dispensar dois mil funcionários até ao verão?

Por seu lado, o Governo assegurou que este encerramento é temporário. Apenas o tempo de criar “tão rapidamente quanto possível” uma “nova estrutura”. O Eleftherotypia diz saber que na gaveta está um projeto-lei para a criação da NERIT AE (nova radiodifusão grega, Internet e televisão), com um quadro de pessoal “bem mais modesto”. Os principais sindicatos da função pública e também do setor privado decretaram uma greve geral de 24 horas esta quinta-feira para protestar contra o encerramento da ERT.