sábado, 1 de junho de 2013

Narrativas há muitas

Português na origem dos tumultos na Suécia - A fazer fé na narrativa (bela palavra) que a comunicação social veicula habitualmente sobre este tipo de incidentes os portugueses residentes na Suécia devem andar a apedrejar a polícia e a queimar carros em Estocolmo para vingar a morte deste seu conterrâneo com nome de programa de governo, Lenine Relvas-Martins . Presumo que também devem estar à espera que os protestos alastrem a Portugal onde a rua portuguesa dará conta da sua indignação.
Ou será que assim a história não vale? Será afinal que esta narrativa sobre as pedras, os paus e os carros a arder só se aplica- quando os protagonistas têm nomes com origem noutros continentes?
Segundo a polícia sueca estaremos perante aquilo que no politicamente correcto se designa como violência de género: Lenine Relvas-Martins «estava a ameaçar com uma faca uma mulher dentro do seu apartamento. A vizinhança chamou as autoridades que, após um período de negociação por telefone, acabaram por arrombar a porta. Sentido-se ameaçados, foram obrigados a disparar.» Já a família dá uma explicação donde emerge um Lenine latino: »Já o cunhado da vítima, Risto Kajanto, disse ao Aftonbladet que Relvas-Martins estava nervoso porque tinha sido importunado por um grupo de marginais durante o regresso a casa após ter ido jantar fora com a mulher. E que, quando lhe bateram à porta, julgou tratar-se do mesmo grupo, tendo ido buscar uma faca para se proteger.» Esta última versão pode até levar ao paradoxo de o português que está na origem dos tumultos na Suécia ter afinal andado de faca em punho contra aqueles que agora os jornalistas dizem que se revoltaram por causa da sua morte.

Helena Matos