segunda-feira, 24 de junho de 2013

Página Inicial ⁄ Internacional ⁄ "Barroso é o carburante da extrema-direita", diz ministro francês "Barroso é o carburante da extrema-direita", diz ministro francês

Dezenas de montras de bancos e de comércios foram atacados, esta tarde, em Paris, quando milhares de pessoas desfilaram numa manifestação "anti-fascista", em memória de Clément Méric, jovem militante de extrema-esquerda morto há duas semanas depois de ter sido agredido, durante uma altercação, por um skinhead, membro de um grupo semi-clandestino da extrema-direita.

Os militantes de esquerda e extrema-esquerda, muitos vestidos de negro, atacaram com pedras montras de dezenas de bancos e de comércios ou vandalizaram-nos com slogans anti-capitalistas e anti-fascistas, mas a polícia não interveio e manteve-se à distância.
Pouco depois, em Villeneuve-sur-Lot, no sudoeste do hexágono francês, numa eleição legislativa parcelar, o candidato da extrema-direita (da Frente Nacional-FN, de Marine Le Pen) alcançou 47 por cento dos votos, sendo batido pelo seu adversário da direita clássica, que apenas foi eleito por ter beneficiado dos votos, na segunda volta, da "frente republicana anti-Le Pen" (direita, socialistas, comunistas, centristas).
A subida da extrema-direita, sublinhada por todas as recentes sondagens, provoca inquietação em França, onde analistas prevêem que a FN vença as eleições europeias de meados de 2014.
Esta situação, designadamente o afastamento desde a primeira volta, no domingo passado, do candidato socialista na parcelar de Villeneuve-sur-Lot, enerva os próprios membros do Governo. "Durão Barroso é o carburante da FN", disse esta tarde o ministro francês da Indústria, Arnaud Montebourg, a propósito da polémica sobre as declarações do presidente da Comissão europeia sobre os "reaccionários" que defendem a excepção cultural nas negociações comerciais entre a UE e os EUA.
O ministro francês acha que a principal causa da subida da FN em França não são os escândalos, nem a subida do desemprego, nem os problemas com o poder de compra, nem os escândalos, nem os conflitos provocados pelas religiões. "A UE exerce uma pressão considerável sobre os Governos democraticamente eleitos, é inaceitável, temos um presidente da Comissão que diz 'todos os que são contra a mundialização são reacionários'... temos uma UE imóvel, que não mexe, que não responde às aspirações populares dos europeus, que dá força aos partidos nacionalistas, aos anti-europeus da UE", explicou Arnaud Montebourg.

40% dos franceses gostam de Marine Le Pen
Projetando os resultados eleitorais e os estudos das sondagens, diversos analistas consideram que a FN pode tornar-se no primeiro partido de França nas eleições autárquicas e europeias da primavera de 2014. Marine Le Pen, filha do truculento fundador da FN, Jean-Marie Le Pen, é claramente mais moderada do que pai e beneficia de uma boa imagem - 40 por cento dos franceses dizem ter uma boa opinião dela!
A chefe da FN, que disse há algumas semanas, ao Expresso, acreditar na vitória do seu partido nas eleições europeias de meados do próximo ano, recolhe votos de desiludidos tanto à direita como à esquerda, designadamente na classe operária e na juventude que, tal como indicam as sondagens, votam maioritariamente por ela! E beneficia igualmente com a crise que atravessa a UMP que, desde a derrota de Nicolas Sarkozy nas últimas presidenciais, vive com convulsões quase permanentes devido a uma descontrolada guerra de chefes pela liderança. 
Com estas perspetivas e depois da eleição de hoje em Villeneuve-sur-Lot, a França pode estar a preparar-se para viver, de novo, uma grande crise de nervos, certamente bem mais grave e fulminante do que aquela que viveu em 2002 quando Jean-Marie Le Pen se qualificou para a segunda volta das presidenciais contra Jacques Chirac!
Expresso