sábado, 8 de junho de 2013

Sade


Donatien Alphonse François de Sade, mundialmente conhecido por Marquês de Sade, nasceu há precisamente 273 anos. Dono de uma personalidade febril, como muitos dos intelectuais que dominaram a sua época, o Marquês de Sade foi um dos grandes anatomistas da alma humana. Pesquisou, deslindou e bosquejou as paixões e os delírios de um animal - sim, falo do homem, com minúsculas - inerentemente louco e imperfeito. Foi preso e morreu num hospício. Como tantos outros foi vituperado e insultado. É este o eterno fado dos loucos que vivem num tempo só deles, no tempo da verdade e da justiça. A genialidade vive sempre nesse limbo, apertada na malícia que desconhece fronteiras. Num tempo de gnomos, falta-nos esse espírito de rebelião amável. Porque a paixão descarnada, apanágio desta era de nibelungos, é sempre e tão-só a antecâmara do desastre homicida. Viva Sade!

João Pinto Bastos