sexta-feira, 5 de julho de 2013

Libertários e o cristianismo

Via Libertarianismo

A filosofia libertária, a qual é a base da Free Nation Foundation (Fundação Nação Livre) [N.R.: Free Nation Foundantion é um think-tank libertário que tem como objetivo a criação de nações libertárias ao redor do mundo], é compatível com o Cristianismo. Não só isso, o libertarianismo é a única filosofia política compatível com a ética de Jesus. Além disso, apesar de que muitos cristãos e muitos libertários não estejam cientes disso, os cristãos estão logicamente alinhados com a mais radical ala do movimento libertário – os anarquistas. Eu pretendo sustentar essas afirmações aqui para encorajar mais cristãos a participarem da Free Nation Foundation.
O libertarianismo como uma filosofia moral está baseado nos princípios de que é errado iniciar violência e é errado roubar. Muitas pessoas concordam com esses princípios, mas elas não os aplicam ao governo. O libertarianismo é único no sentido de que ele não exime as ações governamentais desses requisitos de justiça elementar. Consequentemente, os libertários condenam as atividades estatais como a guerra e a tributação, e os libertários querem reduzir o poder governamental ao mínimo, de forma a reduzir o crime governamental. Isso significa que os libertários são minarquistas ou anarquistas, dependendo de quanto governo eles acreditam que seja possível abolir. Reduzir o máximo possível o poder governamental é a mesma coisa que maximizar a liberdade, então somos denominados libertários.
A filosofia libertária não é uma visão completa de mundo. Ela não diz nada sobre metafísica, epistemologia, estética ou teologia. Ela tampouco tem muito a dizer sobre moralidade, exceto que o roubo e a iniciação de violência são errados, mesmo quando praticados pelo governo. A maior parte dos libertários que eu conheço é cética quanto ao poder sobrenatural da mesma forma que é cética quanto ao governo. Tudo depende se a sua religião admite o roubo e a iniciação de violência pelo estado.
As coisas que Jesus ensinou sobre o fim do mundo, o Reino de Deus, a redenção, a salvação, agraça e a vida eterna são essenciais ao Cristianismo como religião. E as fortes convicções de Jesus sobre caridade, casamento, inveja, honestidade, fidelidade, piedade, riqueza material e serviço a Deus são essenciais na definição de uma perfeita vida cristã. Mas é o que Jesus ensinou sobre roubo e violência que define a filosofia política cristã, porque filosofia política consiste dos princípios para o uso do poder político, que é financiado por roubo e baseado na violência.

A Filosofia Política de Jesus

Jesus era totalmente contra o roubo e a violência. Ele aderiu aos Dez Mandamentos, incluindo o oitavo: "Não roubarás" (Êxodo 20:15). E ele era um pacifista. Ele ensinou que nós não devemos usar a violência para resistir ao mal ou para punir os que praticam o mal. Ao invés disso, nós devemos responder aos que praticam o mal com amor. Nós devemos amar nossos vizinhos e mostrar boa-fé a nossos inimigos.
Qualquer leitor do Novo Testamento que o fizer de mente aberta, concluirá que Jesus advogava a não-resistência e a não violência, apesar de algumas passagens tenderem a apontar na direção oposta. Que Jesus se opunha à guerra e à violência é admitido até mesmo por Reinhold Niebuhr, o principal teólogo defensor dos aliados na Segunda Guerra Mundial. Niebuhr escreveu:
É muito tolo negar que a ética de Jesus é uma ética absoluta e inflexível... Os comandos ‘não resista ao mal', 'ame seus inimigos'...'não seja ansioso pela sua vida,' 'seja perfeito como seu Pai é perfeito no paraíso' são todos de um fragmento, e eles são não inflexíveis e absolutos [1]

Mesmo que Jesus se considere o Messias que o povo judeu estava à espera, ele se recusou a liderar os Zelotes numa revolução violenta contra os Romanos, conquistadores e opressores do seu povo. Quando foram prendê-lo, um dos seus seguidores desembainhou sua espada e cortou a orelha de um servo de um alto sacerdote. Jesus disse:
Então Jesus disse-lhe: Embainha a tua espada; porque todos os que lançarem mão da espada, à espada morrerão. Ou pensas tu que eu não poderia agora orar a meu Pai, e que ele não me daria mais de doze legiões de anjos? Como, pois, se cumpririam as Escrituras, que dizem que assim convém que aconteça? | Mateus 26:52-5
Ao invés da violência, ele praticou o perdão, e ele não ofereceu resistência mesmo quando o crucificaram.
Jesus não acreditava em resistir ao mal com violência, no entanto, acreditava em protestar fortemente contra ela. Ele não era um colaborador ou um homem que negociaria com o demônio. Ele era um defensor radical do Reino de Deus. E ele ensinou seus discípulos a serem fanáticos e radicais como ele era. Ele os ensinou a obedecerem a Deus ao invés do governo.


Os Fariseus conheciam a atitude de Jesus sobre servir a ninguém além de Deus, Então os fariseus se retiraram e consultaram entre si como o apanhariam em alguma palavra; (Mateus 22:15), para deixa-lo em situação difícil perante a lei. Eles tentaram fazê-lo condenar publicamente o pagamento de impostos. Mas Jesus ainda não estava pronto para morrer, e eles não foram inteligentes o bastante para enganá-lo. Eles disseram a ele:
Enviaram seus discípulos com os herodianos, que lhe disseram: Mestre, sabemos que és verdadeiro e ensinas o caminho de Deus em toda a verdade, sem te preocupares com ninguém, porque não olhas para a aparência dos homens.17 Dize-nos, pois, o que te parece: É permitido ou não pagar o imposto a César? 18 Jesus, percebendo a sua malícia, respondeu: Por que me tentais, hipócritas? Mostrai-me a moeda com que se paga o imposto! Apresentaram-lhe um denário. Perguntou Jesus: De quem é esta imagem e esta inscrição? De César, responderam-lhe. Disse-lhes então Jesus: Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus. | Mateus 22:16-21

Quando ele estava pronto para morrer e estava sendo julgado por sua vida perante o governador, Jesus não mentiria, mas, de novo, ele se recusou a dizer qualquer palavra que daria ao governador uma desculpa para crucifica-lo.


E foi Jesus apresentado ao governador, e o governador o interrogou, dizendo: És tu o Rei dos Judeus? E disse-lhe Jesus: Tu o dizes. E, sendo acusado pelos príncipes dos sacerdotes e pelos anciãos, nada respondeu. Disse-lhe então Pilatos: Não ouves quanto testificam contra ti? E nem uma palavra lhe respondeu, de sorte que o governador estava muito maravilhado. | Mateus 27:11-14
Jesus encorajou seus seguidores a manter a fé apesar do que aqueles no poder poderiam fazer a eles:
Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus; Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós. | Mateus 5:10-12

Ele os avisou sobre os maldosos Conselhos, e governadores e reis:
Eis que vos envio como ovelhas ao meio de lobos; portanto, sede prudentes como as serpentes e inofensivos como as pombas. Acautelai-vos, porém, dos homens; porque eles vos entregarão aos sinédrios, e vos açoitarão nas suas sinagogas; E sereis até conduzidos à presença dos governadores, e dos reis, por causa de mim, para lhes servir de testemunho a eles, e aos gentios. | Mateus 10:16-18

Quando, pois vos perseguirem nesta cidade, fugi para outra; porque em verdade vos digo que não acabareis de percorrer as cidades de Israel sem que venha o Filho do homem. | Mateus 10:23
Embora Jesus tenha sido contra a violência, ele não era submisso e moderado. Ele demandou uma devoção em tempo integral e serviço por toda a vida a ele acima de tudo e de todos. Sua filosofia política incluía os princípios morais libertários: oposição inflexível ao roubo e à iniciação de violência. Mas Jesus foi mais contra a violência que muitos libertários são. Ele era um anarquista pacifista. Ele era um extremista que estava disposto a morrer por suas crenças em vez de conciliar. Ele era um fora-da-lei que fundou uma “seita religiosa ilegal” e, por causa disso, ele foi executado pelo estado.
As Palavras e Atos Políticos de Paulo
A defesa mais forte do governo no Novo Testamento está nas cartas de Paulo aos Romanos, onde ele diz que nós devemos pagar nossos impostos e honrar e obedecer aos nossos governantes, porque eles são ministros de Deus e se você resistir a eles, você está resistindo a Deus e você será condenado ao inferno (Romanos 13). As declarações de Paulo são bastante claras e inequívocas, mas há razões pelas quais os cristãos devem desconsiderá-las: (1) elas veem de Paulo e não de Jesus, então não são da fonte mais autorizada e (2) o próprio Paulo as ignorou.
Por exemplo, quando Paulo estava em Damasco (Atos 9:23), os líderes judeus fizeram uma armadilha para matá-lo, e o governador do Rei Aretas mandou guardas aos muros da cidade para prendê-lo (2 Coríntios 11:32-33), mas Paulo desafiou a lei, e seus amigos cristãos o colocaram numa cesta à noite e desceram ele por uma janela no muro, e ele escapou das autoridades. Paulo também fugiu das autoridades em Icônio (Atos 14:5-7) e ele se escondeu de judeus bravos e autoridades do governo em Tessalônica (Atos 16:4-7). Ele não teve tanta sorte em Cesaréia, onde ele ficou preso por dois anos por divulgar ideias ilegais. Finalmente, a sorte desse fora-da-lei se acabou completamente quando ele perdeu sua apelação para Roma e foi executado pelo governo “legitimamente estabelecido”,
As Palavras e Ações de Pedro

O apóstolo Pedro também ensinou o respeito ao imperador e seus governantes (I Pedro 2:13-17), mas, como Paulo, ele nem sempre seguiu seu próprio conselho. Pedro e outros apóstolos que estavam com ele foram presos e colocados na prisão por pregar e curar sem uma licença (Atos 5:17-21). E o que Deus fez? Deus condenou Pedro por violar a lei? Deus perdoou Pedro e disse que ele violou a lei por uma boa razão, mas que ele deveria pagar o preço como um opositor responsável? Não! Deus enviou um anjo para abrir as portas da prisão, que tinham sido fechadas e lacradas pelas autoridades governamentais. Deus tomou o lado dos apóstolos criminosos e os tirou da prisão! Deus não somente ajudou e deu apoio a esses “criminosos”, ele fez com que o anjo dissesse a eles para irem ao templo pregarem o Evangelho e violarem a lei de novo! Os apóstolos fizerem o que foi dito a eles e foram presos novamente. Quando o Conselho perguntou a Pedro por que ele deliberadamente violou a lei ao pregar em nome de Jesus, Pedro respondeu: "Nós devemos obedecer a Deus e não aos homens" (Atos 5:29). As autoridades foram convencidas por Gamaliel a não matar os apóstolos. Em vez disso, o conselho fez com que os apóstolos apanhassem e fossem posteriormente liberados sob as ordens de não falarem em nome de Jesus.
Retiraram-se, pois, da presença do conselho, regozijando-se de terem sido julgados dignos de padecer afronta pelo nome de Jesus. E todos os dias, no templo e nas casas, não cessavam de ensinar, e de anunciar a Jesus Cristo. | Atos 5:41-42
Pedro, como Paulo, foi ao final executado pelo governo Romano pelo crime de colocar Deus acima do governo. Esses contraventores condenados foram os dois grandes apologistas do estado do Novo Testamento. As suas ações mais do que compensam as poucas palavras aberrantes que eles ofereceram em nome dos poderes governamentais.
A Igreja Fora-da-Lei
Os discípulos e seguidores originais de Jesus até o quarto século continuaram a praticar sua filosofia de não-resistência, amor e perdão. Naqueles dias, o Cristianismo era uma religião fora-da-lei. Aqueles pegos praticando o Cristianismo eram perseguidos. Foi escondendo-se e fazendo coisas que eram ilegais aos olhos do governo que o Cristianismo teve sucesso em divulgar o Evangelho pela Europa. [2] Tentando seguir as pegadas de Jesus, nenhum cristão se tornaria um soldado depois do batismo até pelo menos a época de Marco Aurélio (por volta de 170 D.C.). [3] Aristides, Justino Mártir e Tatiano no Século II, Tertuliano, Orígenes, Cipriano e Hipólito no Século III e Lactâncio no Século IV deram declarações que mostram que eles consideravam a guerra como pecado organizado e uma negação à maneira de Jesus. [4]

A Igreja Estabelecida

A Igreja foi cristã [5] até o Imperador Constantino se declarar cristão em 312. Depois disso, a Igreja se tornou a religião do estado e se opôs ao Cristianismo. A Igreja foi longe até o ponto de pronunciar que a atitude do Cristianismo primitivo estava sujeita à punição, e tão cedo como em 314 o Concílio de Arles decretou que “aqueles que jogarem fora suas armas em tempos de paz devem ser excomungado”. [6] Liev Tolstói disse que a aliança entre a Igreja de Roma e o Império Romano foi “o momento quando a maioria dos cristãos abandonou sua religião”. [7] Ele descreveu o acordo entre a Igreja e o imperador sarcasticamente, conforme segue:

... eles santificam o seu ladrão-chefe, e dizem que procede de Deus, e eles o ungem com óleo santo. E ele, por seu turno, organiza para eles o congresso de sacerdotes que desejam, e ordena a eles a dizer qual a relação de cada homem com Deus deve ser, e ordena cada um a repetir o que eles dizem.
E todos começaram a repetir, e estavam contentes, e agora esta mesma religião existe há 1.500 anos, e outro ladrão-chefe a adotou, e todos eles foram lubrificados com óleo santo, e todos eles foram ordenados por Deus ...

E tão logo um dos ungidos ladrões-chefes deseje que o seu povo e outros comecem a se matar, os sacerdotes imediatamente preparam água benta, benzem a cruz (a que Cristo suportou e na qual morreu, porque ele repudiou tais ladrões), tomam a cruz e abençoam o ladrão-chefe em seu trabalho de abate, execução e destruição. [8
A Igreja de Roma adotou o conceito de “guerra justa” e progressivamente tenciona colocar a cruzada do dia nessa categoria. [9] Nesse meio tempo, outros ramos do “Cristianismo” também entraram no caminho “pagão” como quando Vladimir adotou o Cristianismo em 988 D.C. e fez com que o povo de Kiev se dirigisse ao rio Dniepr para ser batizados contra sua vontade. [10]

Mantenedores da Fé
Uma vez que as Igrejas foram cooptadas pelos diversos imperadores, a maioria dos “cristãos” tem se oposto à filosofia de Jesus de não resistência ao mal. No entanto, ao longo dos séculos, alguns não conformistas ousaram apoiar a filosofia moral de Jesus sob o risco de se tornarem mártires da vingança da Igreja ortodoxa. Os Batistas alemães e Menonitas, os Amigos ou Quakers, e os Shakers são exemplos. Até mesmo a Igreja de Roma tolerou a não violência dentro de algumas de suas ordens monásticas. Francisco de Assis praticou a não violência como parte de sua tentativa de levar uma vida perfeita a maneira de Jesus.

Em 1846, Adin Ballou publicou A Não-Resistência Cristã, que é uma longa defesa da filosofia moral de Jesus que mostra suas implicações libertárias. [11] Liev Tolstói, que foi influenciado pelo livro de Adin Ballou, tornou-se um famoso defensor da não violência cristã e do anarquismo. Ele usou sua influência para levantar dinheiro da Inglaterra e Quakers americanos para contratar navios, em 1899, para levar aproximadamente 12.000 Dukhobors (cristãos russos que se recusaram a portar armas e foram consequentemente perseguidos e exilados pelo governo “cristão” do Tzar) para uma grande área de terra no Canadá onde eles foram autorizados a praticar a não violência. [12]
Albert Schweitzer foi inspirado pela filosofia da não violência de Jesus. Ele a expandiu na filosofia de reverência pela vida. Depois de obter doutorados em filosofia e teologia e de se tornar o principal tocador de órgão de tubo na Europa e autoridade em Bach e também pastor e autor cristão, Schweitzer decidiu que não estava fazendo o bastante por Cristo. Então ele voltou à faculdade, tornou-se doutor em Medicina e depois se mudou para a África Equatorial para ministrar às necessidades médicas e espirituais dos africanos desafortunados. Durante a Primeira Guerra Mundial, o governo francês o prendeu, trouxe-o de volta da África e o colocou num campo de prisioneiros de guerra nos Pirineus porque tecnicamente ele era um indivíduo alemão. Depois da guerra ele continuou a dividir o seu tempo entre ser médico na África, lecionando e dando recitais de órgãos na Europa. Ele ganhou o prêmio Nobel da Paz em 1952.
Irmão Andrew, um cristão calvinista da Dinamarca, exemplificou outro aspecto do Cristianismo que leva a ações radicais em violação às leis do governo. Como os primeiros cristãos, Irmão Andrew tomou de coração o comando de Jesus de divulgar o Evangelho.
Veja você, eu não acredito que nosso Senhor esteja disposto a que sua Palavra e testemunho sejam mantidos fora de qualquer país por fronteiras guardadas ou decretos governamentais. Isso seria contrário tanto ao espírito e à letra do seu comando a nós a fazer discípulos de todas as nações. De fato, não faz mais sentido concentrar esforços naqueles lugares que são mais resistentes ao Evangelho, os mais dominados pelo poder do diabo?" [13]
Assim, durante a Guerra Fria, o Irmão Andrew contrabandeou Bíblias para os países da Cortina de Ferro em violação às leis dos governos comunistas, e ele se tornou o organizador de dezenas de equipes de contrabandistas internacionais que traziam ilegalmente milhares de Bíblias e documentos cristãos às vítimas do comunismo. Ele ofereceu uma defesa cristã dessas atividades criminosas no livro A ética do Contrabando, em que ele expressa pontos de vista que estão em linha com os libertários mais radicais. Ele acreditava que para ter sucesso contra o diabo que você tem que ser tão dedicado e fanático por Jesus como os comunistas são contra ele. Ele também acreditava que para seguir a lei de Deus às vezes é necessário violar as leis governamentais.
Quero ser muito claro aqui: se somos consistentes em manter a lei de Deus, necessariamente teremos que quebrar a lei de muitos governos Neste momento, em todos os governos sem Deus e ateus, onde eles nos dizem para não ensinar, para não levar Bíblias, temos que violar essa lei ou violar a lei de Deus [14].

O que muitos consideram como uma questão ética, dizendo, 'Oh, você não deve contrabandear, você deve seguir a lei,' nada mais é que um acordo com o diabo. No debate sobre a moralidade de contrabando, nós negamos a Deus o direito de governar o mundo. E é exatamente por isso que o diabo governa. [15]
Libertarianismo Cristão
A ligação entre o Cristianismo e o libertarianismo é muito simples. A filosofia moral cristã inclui os princípios libertários de que é errado iniciar a violência e de que é errado roubar. O Cristianismo é, portanto, uma religião libertária. Como religião, o Cristianismo vai além do libertarianismo, incluindo crenças sobre diversos assuntos, além de justiça e política. No entanto, uma vez que os cristãos aceitem as premissas do libertarianismo, eles devem, logicamente, chegar às mesmas conclusões sobre a moralidade de tributação do governo, legislação e guerra. Se for moralmente errado para um cristão roubar ou iniciar violência, também deve ser moralmente errado para um cristão defender, desculpar, recomendar, aprovar ou autorizar alguém a cometer esses crimes em seu nome. Como Tolstói disse:
Leis são regras feitas por pessoas que governam por meio da violência organizada, e cuja não observância sujeita aquele que não observou a lei a desapontamentos, perda de liberdade ou até mesmo a ser assassinado. [16]
Portanto é moralmente errado a um cristão defender, desculpar, recomendar ou aprovar a tributação do governo, punição, legislação, guerra ou violência de qualquer tipo.
A ética perfeccionista de Jesus vai além dos requisitos mínimos de admissão de libertarianismo. Tudo o que o libertarianismo requer é que você não tolere o roubo ou a iniciação de violência por parte de ninguém. Libertarianismo não exige que você não resista quando alguém o ataca. O libertarianismo permite, mas não exige, o uso da violência em legítima defesa contra agressores. Além disso, o libertarianismo permite delegar o seu direito à autodefesa para outros. Esta é a origem do desacordo entre os libertários do governo limitado e os libertários anarquistas. Os libertários do governo limitado acreditam que os governos têm de alguma forma a autoridade para proteger os nossos direitos e punir os criminosos. Os anarquistas negam isso. Os cristãos, que nem sequer acreditam em usar a violência para a autodefesa ou punição, devem, logicamente, ser alinhados com os anarquistas.
Os cristãos não podem tolerar a derrubada violenta do governo, mas o Cristianismo destruiria o governo ao retirar seu apoio.
Um homem que se recuse a matar e prender seu semelhante não pretende destruir o governo: ele simplesmente não deseja fazer o que é contrário à vontade de Deus; ele está apenas evitando o que não só ele, mas todo aquele que é acima de um bruto, considera, sem dúvida, o mal. Se, por esse meio, o governo é destruído, isso só mostra que as exigências do governo são contrárias à vontade de Deus - isto é, eles são o mal;. e, portanto, o governo, sendo em si um mal, vem a ser destruído. [17]

Nós encorajamos os cristãos a se juntar ao Libertarianismo. Nós precisamos de mais libertários radicais para equilibrar os pouco convictos estatistas mínimos. Vamos trabalhar juntos para criar um santuário para os seres humanos, um refúgio contra a violência organizada, uma terra de paz e liberdade.

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Tradução de Ronaldo Bassit. Revisão de Matheus Pacini.