segunda-feira, 8 de julho de 2013

Outros ecos da semana política

Vitor Gaspar era o verdadeiro estabilizador deste governo e desta maioria. No dia imediatamente seguinte ao da sua saída do governo, a garotada desatou aos tabefes, aos chutos e pontapés, e a fazer queixinhas uns dos outros aos meninos mais velhos. Também não é para admirar. Vitor Gaspar não se fez nas jotas partidárias, nem nas coscuvilhices e sacanices da política portuguesa. Tem vida própria, um percurso profissional respeitado, nunca tinha estado pendurado na política, e isso provoca sensações misturadas de temor e rancor aos toxicodependentes da politiquice. Era ele quem, por impor respeito à garotada, a ia conseguindo, naturalmente, pôr a recato. Agora que foi à vida, a canalhada está novamente por conta própria, com dois anos de raivinhas acumuladas. Não vai ficar pedra sobre pedra.
Rui A. in blasfémias

O Exemplo
Vítor Gaspar é o exemplo acabado do que acontece a quem se atreve pôr na ordem as indisciplinadas finanças portuguesas: durante dois anos foi vaiado, injuriado e enxovalhado, sai completamente gasto e esgotado. Os seus sucessores vão aprender muito com ele.
Lisboa Tel-Aviv

República das bananas
Por que motivo é Portugal uma «república das bananas»? A expressão vem dos países da América Central com grandes plantações bananeiras que eram propriedade das empresas norte-americanas. E era Washington que ditava quem governava cada um desses Estados. Também Portugal é assim. Um país em que bancos estrangeiros se dão ao luxo de avisar os seus clientes que o governo vai cair. Um país que para ficar bem visto aos olhos dos Estados Unidos fecha o espaço aéreo a um avião presidencial para perseguir alguém que denunciou escutas sobre a União Europeia. Um país cujo primeiro-ministro prefere ir a Berlim conversar com Angela Merkel a permanecer em Lisboa enquanto se desenrola uma grave crise política. Aos latino-americanos que serviam de capatazes políticos dos norte-americanos, os povos chamam-lhes vende-pátrias. É um adjectivo que também serve aos que ao serviço do FMI, UE e BCE nos encaminham para a miséria. A esses que roubam os pobres para dar aos ricos há que decapitá-los politicamente de uma vez por todas. E pela força se necessário.
Bruno Carvalho in Cinco Dias

O senhor ex-PR Jorge Sampaio, a.k.a. senhor ‘há vida para além do défice’ – e oh se não há, parece é que não é lá muito boa -, a criatura que ofereceu ao país josé sócrates nas eleições legislativas de 2005, anda hiper-excitado (um grau superior de hiper-atividade). Vai daí, não contente com o serviço de 2005, que teve como corolário a falência do país em 2011, lembrou-se por estes dias de vir opinar novamente sobre eleições que, claro, deveriam ser antecipadas. Eu até entendo que Sampaio e Soares tenham saudades das luzes da ribalta – é a natureza humana – e não resistam a tagarelar sobre tudo aquilo que não percebem. Mas a vida mediática do país seria muito mais higiénica se estes dois senhores soubessem o que é aquele conceito tão útil que dá pelo nome de vergonha na cara. Nós, infelizmente, já percebemos que teremos o Tó Zero como próximo pm. Mas, por piedade, dêem-nos tempo para, enfim, enrijecermos os nervos e acumularmos ansiolíticos na farmácia caseira antes da borrasca.
Maria João Marques no Insurgente

Uns palhaços do Ministério Público resolveram arquivar a queixa crime de um palhaço que mora em Belém, por se ter sentido ofendido por um palhaço que escreve nos jornais lhe ter imputado essa nobre profissão. Os palhaços do Ministério Público arquivaram rapidamente o processo contra o palhaço jornalista, fundamentando a decisão no princípio da “liberdade de expressão”, que “é válida não apenas para juízos de valor favoráveis, inofensivos ou indiferentes, mas também para os que ferem, chocam ou incomodam”. Por isso, chamar “palhaço” ao Presidente da República Portuguesa, ou a qualquer outro titular de um órgão de soberania, ou mesmo a qualquer cidadão português, passa a ser, a partir de agora, um direito fundamental de todos os portugueses, que a Constituição protege e o Ministério Público tutela. Aplicando-se o mesmo critério a outros adjectivos que “ferem, chocam ou incomodam”, o nosso direito fundamental à liberdade de expressão ficará consideravelmente ampliado. É só começar…
Rui A. no Blasfémias