terça-feira, 9 de julho de 2013

Snowden

Atentado ao Pudor


Isto chateia-me: estou de acordo com o Tiago Moreira Ramalho. Eu, se fosse namorado de uma jovem com os atributos especiais que dizem ser os da que dizem ser a namorada de Edward Snowden e ganhasse os 300,000 dólares por ano e tivesse uma casa no Havai — espiava com dignidade. Mas eu sou um covarde que preza o seu emprego e já sabia que os americanos espiavam os europeus, que espiavam os latino-americanos, que não espiavam ninguém, que eram espiados pelos norte-americanos, que eram espiados pelos chineses, que não eram espiados pelos sauditas, que eram espiados pelo russos, que espiavam Hong Kong, que não espiavam o Laos nem o Cambodja. As histórias de espionagem são quase sempre de segunda ordem. E sim, Snowden não disse, afinal, nada que não soubéssemos: que os americanos espiam mal e são destituídos de qualquer tipo de cautelas e não sabem instruir agentes duplos porque acham que a guerra fria já terminou. Ora, a guerra fria não só não terminou como é agora uma autêntica orgia. Edward Snowden disse que os norte-americanos vigiam o Facebook, o Twitter, o Google, o velho Outlook, o iTunes e o Bar da Tina em Cascais. Parece-me altamente provável, tirando o Outlook, que até eu era capaz de vigiar de um servidor em Castelo Branco. Portanto, Snowden, meu caro, escreve um livro com o material e vive durante uns anos dos rendimentos numa das ilhas Curilas, aí no Pacífico profundo. Depois, vende o material de novo ao Equador.