domingo, 29 de junho de 2014

Mundial: Holanda consegue reviravolta nos últimos 5 minutos e elimina o México e o sonho da Costa Rica continua


Holanda 2-1 México (Sneijder 88' e Huntelaar 90'+3 e Giovani dos Santos 48')
Os europeus levaram a melhor sobre os centro-americanos no primeiro duelo do dia e ficam agora à espera do vencedor do Costa Rica-Grécia, sendo certo que tem bastantes probabilidades de chegar às meias. A Holanda esteve a perder desde o início da segunda parte, mas conseguiu a reviravolta nos últimos minutos, com Robben a desequilibrar e Huntelaar a ser decisivo com uma assistência de cabeça e um golo de penalty. Quanto ao México, acabou por deitar tudo a perder na recta final do encontro, pagando pelo facto de ter recuado as linhas (quase abdicando do ataque) demasiado cedo. 

Quanto ao jogo, foi menos interessante do que seria de esperar, provavelmente devido ao calor que se fez sentir em Fortaleza. As duas equipas jogaram a um ritmo lento e tiveram dificuldades na criação ofensiva, proporcionando poucos lances junto das balizas. Ainda assim, o México foi superior durante a primeira parte, com Herrera mais uma vez em destaque (esteve perto de marcar). Na segunda parte, o golo madrugador de Giovani dos Santos, com um remate espontâneo de fora da área, alterou a postura das equipas. Van Gaal fez entrar Depay e a Holanda passou a jogar em 433, exercendo maior pressão sobre um México que optou por defender o resultado. Ochoa negou o golo aos holandeses com duas defesas fantásticas, mas nada pôde fazer para travar um remate de Sneijder na sequência de uma bola parada. Pouco depois, Robben ganhou um penalty e Huntelaar não vacilou, confirmando a vitória da selecção laranja.


Holanda - Apesar de os holandeses terem 4 vitórias em 4 jogos, o futebol praticado está muito longe de ser positivo. A turma de Van Gaal está a jogar com uma atitude demasiado conservadora - hoje só a perder é que entrou no jogo - e neste encontro ficou claro que apostar num sistema de 3 centrais não foi benéfico, já que a equipa esteve muito permeável defensivamente (Vlaar e De Vrij cometeram muitos erros) e ofensivamente não conseguiu encontrar soluções para penetrar na defensiva mexicana. O técnico holandês foi feliz com as entradas de Depay, que agitou a partida, e Huntelaar, decisivo na passagem, mas a verdade é que até então o conjunto voltou a depender exclusivamente das arrancadas de Robben. O craque cresceu no jogo quando passou para o lado direito e pelo quarto encontro consecutivo voltou a ser fundamental no sucesso da sua equipa. Destaque também para Sneijder, que, apesar de não ter conseguido fazer a diferença enquanto criador de jogo, acabou por empatar o encontro com um remate indefensável.

México - Depois da derrota do Chile, é a vez de mais uma selecção muito interessante do ponto de vista colectivo dizer adeus ao Mundial. Os mexicanos fizeram 87 minutos excelentes, disciplinados no plano táctico e com grande entrega ao jogo, mas a estratégia de Herrera (que se tivesse resultado o tornaria num herói no seu pais) acabou por condenar a equipa na recta final do encontro. Nem um super Ochoa, que juntou mais duas defesas do outro mundo ao seu vasto leque de grandes paradas, conseguiu evitar o remate de Sneijder e o penalty de Huntelaar. O trio de centrais esteve novamente muito bem (incluindo Reyes, que entrou para o lugar de Moreno) até Robben passar para a direita e colocar Rafa Márquez em grandes dificuldades. Salcido, no lugar do castigado Vázquez, não deu a mesma fluidez à equipa. Nas laterais, Aguilar atacou pouco e Layun, quando o fez, cruzou mal. O grande destaque do conjunto mexicano, especialmente durante a primeira parte, foi o portista Herrera, que voltou a impressionar pela sua capacidade técnica e facilidade de chegar à área contrária. Giovani dos Santos, depois de exibições mais apagadas, voltou a brilhar, enquanto Peralta fez um jogo esforçado na frente. Esta foi a 6ª eliminação consecutiva do México nos oitavos-de-final (1994, 1998, 2002, 2006, 2010 e 2014).

Sonho da Costa Rica continua

Costa Rica e Grécia seriam duas selecções com poucas expectativas para este Mundial. Nenhuma delas tem grande historial na competição e, entre as duas, apenas os centro-americanos tinham avançado para lá da fase de grupos. Mas, depois de ter sobrevivido e prosperado num grupo com três antigos campeões do mundo (já nenhum deles está em competição), a Costa Rica continua a sua história de sonho, qualificando-se neste domingo para os quartos-de-final com um triunfo nos penáltis (5-3, depois de 1-1 em 120 minutos) sobre a Grécia de Fernando Santos, num jogo realizado no Arena Pernambuco, em Recife. Segue-se agora a Holanda, num jogo marcado para o próximo sábado, em Salvador.

Mesmo não sendo uma das equipas mais cotadas, a Grécia seria, seguramente, um adversário complicado para os costa-riquenhos. Os “Ticos”, de vocação ofensiva, teriam uma equipa grega habituada e confortável a defender já desde os tempos de Otto Rehhagel e do Euro 2004. Foi exactamente o que aconteceu. Depois de brilharem na fase de grupos, homens como Joel Campbell e Bryan Ruiz, as “estrelas” ofensivas dos centro-americanos, perderam-se na contenção da Grécia, provavelmente a única selecção sobrevivente neste Mundial com uma estratégia declaradamente defensiva.



Os primeiros 45 minutos foram soporíferos e pouco interessantes, sem nada para animar os espectadores. A única jogada que se pode descrever como oportunidade de golo aconteceu aos 36’ e para o lado da equipa de Fernando Santos. Holebas faz o cruzamento, Salpingidis responde bem à solicitação, mas o guarda-redes Keylor Navas não deixa que o golo aconteça. Era isto que Fernando Santos queria. Manter o adversário longe da baliza de Karnezis e aproveitar o voluntarismo dos seus avançados para marcar um golo, algo que é coisa rara nesta selecção grega.

Mas a Grécia até surgiu mais confortável na segunda parte. Logo aos 47’, Samaras teve na cabeça uma oportunidade, mas o remate foi à figura de Navas. Pouco depois, finalmente a Costa Rica conseguiu furar a resistência grega. Aos 52’, Bolaños faz o cruzamento para a entrada da área e Bryan Ruíz, num remate com pouca força e muita colocação, consegue meter a bola na baliza grega, naquele que foi o seu segundo golo do Mundial – já tinha marcado à Itália. Karnezis, muito encostado ao outro poste e tapado por um seu colega, nem se mexeu para tentar deter a bola que entrou bem junto ao ferro do lado esquerdo.

Santos foi metendo os avançados que tinha no banco, primeiro Mitroglou, depois Gekas. Pelo meio, uma expulsão para o lado da Costa Rica. Aos 66’, Óscar Duarte vê o segundo cartão amarelo e deixa a sua selecção a ter de defender uma magra vantagem com menos recursos humanos que o adversário. Os papéis invertiam-se. Era a Grécia quem tinha agora de atacar, com a sua própria sobrevivência em causa. Com pouco discernimento, mas muito coração. E a entrega grega, não menos que total, deu frutos, tal como acontecera no jogo com a Costa do Marfim.
Já em tempo de compensação, após um primeiro remate de Gekas defendido por Navas, é um defesa, Sokratis Papastathopoulos (um dos apelidos mais compridos deste Mundial), a fazer o empate e a dar mais um exemplo de sobrevivência no limite. Depois, no prolongamento, Grécia correu mais, a Costa Rica resistiu e o seu guarda-redes foi o herói. Trinta minutos depois, manteve-se o empate e avançou-se para os penáltis. Fernando Santos foi expulso do banco e teve de ver o desempate pela televisão. Acertaram os sete primeiros e foi Gekas, um dos mais experientes dos gregos, o primeiro a falhar. Ou melhor, foi Navas o primeiro a defender. Depois, Michael Umaña, central que ainda joga no seu país, rematou forte e colocado e acabou com os gregos.

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