quinta-feira, 26 de junho de 2014

Portugal diz Adeus ao Brasil com uma vitória


Se Paulo Bento tivesse colocado sempre este meio-campo (Amorim-William-Veloso), Se Pepe não tivesse sido expulso contra a Alemanha (algo que condicionou a diferença de golos), Se CR7 estivesse a 100%, Se os convocados tivessem sido outros, Se Portugal apresentasse sempre esta dinâmica, principalmente na 1ª parte, Se a Alemanha tivesse goleado, Se isto, se aquilo...vai ser o discurso nos próximos tempos. Mas a realidade é que a selecção nacional, apesar da vitória frente ao Gana (o resultado foi melhor que a exibição), despediu-se do Mundial, logo na fase de grupos (algo que já não acontecia desde 2002). De nada valeu o golo de Ronaldo, igualou Klinsmann ao marcar em 7 fases finais consecutivas, nem a boa 1ª parte. Portugal, apesar da vitória por 2-1 frente ao Gana, despediu-se do Brasil com 4 pontos, os mesmos que os EUA (perderam por 1-0 contra a Alemanha, golo de Muller), mas com pior diferença entre os golos marcados e sofridos.

Ficou a ideia que era possível golear o Gana, Ronaldo em dia sim hoje tinha facturado por 3 ou 4 vezes, mas verdade seja dita que a selecção ganesa teve igualmente várias oportunidades de golo, e quando Portugal chega ao 2-1 os africanos até estavam por cima. Quanto ao jogo, Portugal entrou melhor, mais intenso, agressivo, a circular melhor a bola. Logo aos 5 minutos Ronaldo atirou à barra, a meio da 1ª parte, falhou um golo escandaloso de cabeça (mérito do guarda-redes ganês que efectuou uma excelente defesa), e sendo certo que na jogada a seguir Gyan também podia ter marcado (grande defesa de Beto), foi mesmo a selecção nacional a chegar ao 1-0 fruto de um auto-golo de Boye. Na 2ª parte, esperava-se um jogo mais partido (o Gana tinha de ganhar), mas Portugal não aproveitou isso e entrou adormecido. Para piorar, depois da Alemanha fazer o 1-0, passado um minuto Gyan empatou a partida. A partir daqui, com as duas equipas a precisar de arriscar o jogo ficou mais partido e houve várias ocasiões de parte a parte. Paulo Bento lançou Varela e Vieirinha e a equipa portuguesa voltou a estar perto de marcar, com Ronaldo a ganhar destaque... pela negativa. É certo que o craque fez o 2-1 (aproveitou um mau alívio de Dauda), mas falhou 3/4 ocasiões claras que poderiam ter dado um resultado mais folgado. Do outro lado, os jogadores ganeses também não estiveram de pontaria afinada. Até final, nota para a lesão de Beto, mais uma na equipa nacional.

Destaques: 

Portugal - Apesar de tudo, foi o melhor jogo da equipa portuguesa. A explicação é óbvia: as entradas de Rúben Amorim e William Carvalho no 11, que não só deram maior equilíbrio e dinâmica ao meio campo como também permitiram a subida de rendimento de Moutinho. Durante a primeira parte, que foi claramente a melhor de Portugal neste Mundial, houve um bom controlo do jogo a meio campo e uma maior ligação com o ataque. Na segunda parte a equipa entrou com pouca crença e com menos intensidade, fazendo uma exibição mais próxima dos dois primeiros jogos. Os médios foram caindo de produção e a defesa voltou a demonstrar uma banalidade incrível em termos posicionais (Veloso e Bruno Alves cometeram demasiados erros). Ainda assim, Portugal podia ter marcado várias vezes, mas apresentou uma ineficácia tremenda num jogo em que era necessário anular a diferença de golos e isso acabou por ser fatal.

Ronaldo - Fez história e juntou-se a Klinsmann, marcando pela sétima fase final consecutiva (Euro 04, JO 04, Mundial 06, Euro 08, Mundial 10, Euro 12 e Mundial 14). No entanto, foi um péssimo Mundial para o capitão português. É certo que estava em dificuldades físicas, mas hoje apresentou uma falta de eficácia incrível (e a finalização até é o seu ponto forte). Pedia-se ao melhor jogador do Mundo que tivesse mais capacidade de desequilibrar e sobretudo de assumir o jogo, até porque é um elemento que praticamente não defende (como se viu na partida com os EUA).

Paulo Bento - O maior culpado da fraca prestação neste Mundial. Tudo começou na convocatória, onde ignorou alguns jogadores, convocou outros pelo estatuto, chamou jogadores com problemas físicos e conseguiu levar apenas 1 lateral esquerdo quando a lógica é ter 2 elementos por posição. Hoje Portugal acabou o jogo com 2 laterais adaptados, mas foi principalmente a lateral esquerda que deu muitos problemas. Percebeu-se que Almeida e Veloso, apesar de fazerem a posição, não têm a competência necessária para substituir Coentrão. Para além do mau futebol apresentado, que é consequência do péssimo estado físico dos jogadores e da falta de ideias do seleccionador (demasiado pontapé para a frente), este jogo serviu para provar que as escolhas para o 11 nas duas primeiras partidas foram erradas. Hoje PB finalmente deu oportunidade a jogadores que mereciam (Amorim e William) e a equipa melhorou significativamente, mas já foi tarde demais.

William/Moutinho - A entrada do primeiro levou à subida de rendimento do segundo. O facto de ter um médio de cobertura mais posicional à frente da defesa deu maior liberdade a Moutinho, que fez a melhor exibição do Mundial. O médio do Mónaco apresentou outra intensidade, jogou mais próximo do ataque e foi decisivo no primeiro golo. Quanto a William, não fez um jogo brilhante mas deu claramente maior segurança, equilíbrio e capacidade de recuperação ao meio campo de Portugal. Cometeu alguns erros no passe e por vezes acusou a sua falta de velocidade, mas ficou claro que era a solução para aquela posição.

Éder - Entrou bem contra a Alemanha, mas a partir daí foi uma nulidade. É demasiado limitado tecnicamente (hoje não conseguiu receber uma bola) e apresenta graves lacunas na finalização. Apesar de tudo, ficou evidente que Postiga continua a ser melhor solução para o ataque.

Vieirinha - É o espelho do que é a selecção portuguesa actualmente. Entrou bem, demonstrou qualidade e que merecia ter tido mais minutos. Mas nem podemos dizer que é o futuro de Portugal já que no Euro 2006 já vai ter 30 anos.

Veloso - Fez um jogo esforçado, mas de facto não tem qualidade para jogar naquela posição. A sua falta de rotinas ficou clara (erros de posicionamento e de abordagem) e prejudicou a equipa. Ainda assim, foi decisivo ofensivamente no primeiro golo de Portugal.

Nani - Esteve aquém do que poderia e deveria fazer. Foi mais uma exibição semelhante às anteriores: esteve muito activo, tentou assumir o jogo de Portugal, mas quase tudo lhe saiu mal (o último passe, o remate). Não foi um jogador capaz de fazer a diferença (ele que em tempos era claramente um dos melhores 3/4 elementos da equipa).

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