segunda-feira, 14 de julho de 2014

Adeus, Ramones



Morreram todos os Ramones. Já não há nenhum Ramone vivo. Eu gostava muito dos Ramones. Eles eram, sendo (ou apesar de serem?), americanos, ainda mais punks do que os gloriosos, primeiros, Sex Pistols.
Ambos eram rock n'roll. Mas os Ramones, sendo americanos, eram punks por preferência, sem ódio, enquanto os Pistols eram gloriosamente antagonísticos. Num artigo publicado em O Jornal em 27 de Novembro de 1981, fiz questão de lembrar que o primeiro álbum dos Ramones era anterior aos Sex Pistols. E eu estava lá, em 1976, em Londres, onde a minha mãe e a minha irmã viviam a dez passos da King's Road, em Chelsea, onde tudo começou.
Escrevi, com razão, que "o primeiro LP deles, surgido em 1976, quando o punk britânico não era mais do que um brilho ténue nos olhinhos verdes de Malcolm McLaren, foi uma revelação de inocência, de energia – do que os americanos chamam o 'trash aesthetic' (a estética do desperdício, do lixo)".
Concluía, vergonhosamente esperto, que "neste ano de 1981 nada têm a acrescentar". Mantenho essa opinião sobre o álbum Plesant Dreams, que saiu nesse ano.
Em 1981 já estavam acabados. Mas, enquanto começaram, eram uma excitação nunca antes ou depois ultrapassada: "One, two, three, four... hey ho, let's go..."
Agora estão todos mortos. Como é possível? Como é que as vidas se tornaram tão curtas como as canções?
Eram tão vivos os Ramones. A música deles continua a ser a vida feita música. Eles morreram. E nós? Continuamos vivos – e fãs.

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