terça-feira, 1 de julho de 2014

António Costa e os media.


Ontem escrevi aqui que politicamente o avanço de António Costa era imparável e que só a blindagem dos estatutos realizada por António José Seguro o estava a conseguir travar processualmente. Uma das razões para esse avanço de Costa é a sua habitual boa imprensa e o extraordinário acesso aos media, coisa que Seguro nunca teve. Basta lembrar que, para ser entrevistado numa altura em que ganhou o congresso,Seguro teve que interromper uma entrevista de Costa, coisa que este nunca lhe perdoou e que explica bem as razões de consciência que ditaram o seu avanço nesta altura.


Em termos de acesso aos media, António Costa não apenas dispõe de um debate semanal na quinta-feira com dois adversários que já o reconhecem como líder natural do seu partido, como ainda ontem foi chamado pela Sic Notícias a uma entrevista à terça-feira, noticiando os media amplamente o seu percurso triunfante pelo país. Quanto a Seguro, apesar de ter apelado a debates com Costa, nenhuma televisão os organizou, nem sequer convidou Seguro para uma simples entrevista. É evidente que, nas tais absurdas "primárias" que convocou, Seguro vai ser trucidado sem ter sequer oportunidade para dizer um "ai".

Entretanto António Costa já começa a dizer ao que vem e é o pior que se poderia esperar. Agora veio dizer que o IMI dos lisboetas é que vai servir para pagar os prejuízos das empresas de transportes, podendo esse IMI até aumentar. Neste momento, os cidadãos já têm o IMI em valores estratosféricos, multiplicam-se as execuções fiscais, e grande parte das pessoas vai perder as suas casas por não conseguir pagar o imposto, mas isto não interessa nada. O que interessa é que a Câmara possa adquirir empresas de transportes com dívidas colossais, nem que para isso tenha que desbaratar o dinheiro dos contribuintes. Transponha-se isto para a escala nacional e ficamos a saber que um governo de António Costa pode ser ainda mais catastrófico para o país que o de Sócrates foi. Sinceramente neste momento, entre Costa e Seguro, já não sei qual dos dois é pior.

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