quinta-feira, 31 de julho de 2014

Auto-elogio sempre!

Via a Batalha

Em Cuba dificilmente poderia ser de outra forma. Raúl Castro elogia as reformas económicas por si postas em prática No discurso de encerramento do III Período Ordinário da Assembleia Nacional, o governante cubano defendeu o carácter gradual das reformas económicas. “Encontramo-nos numa fase de actualização do modelo económico qualitativamente superior em que se produzem decisões de maior complexidade e alcance”, sublinhou o general Raúl Castro. “A gradualidade com que se realizam os processos de aperfeiçoamento não é um capricho mas uma necessidade para garantir a ordem e evitar erros que possam desvirtuar os objectivos propostos.” Numa intensa avaliação do programa de reformas que provocou um crescimento económico de 0,6 por cento , Castro afirmou: “os resultados nãos nos satisfazem mas não nos desanimam.” As ideias de actualização da economia socialista da ilha para os capítulos que se seguem passam por “lutar com mais afinco” e, imagine-se “captar mais investimento estrangeiro.”
Perante as dificuldades económicas que se reflectem na crónica escassez de produtos alimentares, as autoridades cubanas preparam-se para tomar novas medidas. Uma delas consiste na eliminação de 6441 cargos administrativos e burocráticos da enorme administração pública que visa diminuir a ineficácia e a corrupção dos organismos estatais, especialmente naqueles quue actuam como intermediários entre os agricultores e o mercado. A outra medida importante passa pela implementação de medidas que permitam uma maior flexibilização operativa das cooperativas agrícolas, consideradas como o pólo principal da actividade agrícola em Cuba. Apesar da aposta de renovação económica do socialismo cubano, a realidade mostra uma desaceleração do ritmo do crescimento económico. Prontamente, o governo aponta os culpados: diminução de divisas e investimentos externos, condições climatéricas adversas e insuficiências internas que são justificadas pela “complexa situação internacional” e pelo “aumento do bloqueio norte-americano” a Cuba. Aliás, boa parte do discuro de Raúl Castro foi gasto nos habituais ataques aos EUA e avisou que “as políticas norte-americanas contra a ilha estão condenadas ao fracasso.” Apontou mesmo o caso do pagamento da multa de nove mil milhões de euros por parte do banco francês BNP Paribas como “um atropelo mais contra a soberania dos estados e das normas de livre comércio e do direito internacional.” Na mesma linha, o general cubano criticou a justiça norte-americana no caso entre a Argentina e os fundos de investimento. A luta do socialismo “neo-liberal” cubano passa por mais firmeza e optimismo temperados com a devida opressão.

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