terça-feira, 8 de julho de 2014

Inacreditável! Alemanha vulgariza o Brasil (7-1);'Mannschaft', que aos 30 minutos já vencia por 5-0, chegou à final de um Mundial pela 8ª vez

Kroos bisou, Klose entrou para a história dos Mundiais, Khedira e Müller também estiveram em destaque; Canarinha juntou a vergonha ao mau futebol (ser só agressivo e intenso não chega); David Luiz (o defesa mais caro da história) foi o expoente máximo do desastre no Mineirão.


O Estádio Mineirão, em Belo Horizonte, vai ficar para sempre marcado como o palco de uma das piores humilhações da história da selecção brasileira – provavelmente a maior de sempre – e de um dos jogos mais perfeitos da alemã. A Mannschaft goleou o Brasil, por 7-1, um resultado e uma diferença nunca vistas numa meia-final do Campeonato do Mundo.

A equipa de Joachim Löw, que chegou ao intervalo já a vencer por 5-0, resultado que já se verificava aos 29’, apurou-se pela oitava vez para a final da prova e deixou em estado de choque o país anfitrião, trazendo à memória o trauma do Maracanazo, em 1950.




No jogo de todos os recordes negativos para o Brasil, Thomas Müller foi o primeiro a marcar, logo aos 11’. Depois, Miroslav Klose dobrou a vantagem (23’), e passou a deter, de forma isolada, o recorde de golos em Mundiais (16), superando o brasileiro Ronaldo.

Os minutos seguintes foram de desastre para a defesa e o meio-campo brasileiros, que assistiram aos golos de Toni Kroos (24’ e 26’) e Khedira (29’).




Na segunda parte, o suplente Schürrle bisou (69’e 79’) e aumentou o resultado para 7-0, antes de Oscar apontar o golo de honra do Brasil aos 90’.

A Alemanha, que vai tentar repetir os títulos de 1954, 1974 e 1990, espera agora pelo outro finalista, que sairá do jogo Argentina-Holanda.

Este jogo igualou a pior derrota anterior do Brasil, que em 1920 foi batido pelo Uruguai, por 6-0.



Visão de Mercado

Inacreditável! Jogo histórico em Belo Horizonte, com uma goleada nunca antes vista nesta fase de um Campeonato do Mundo. O Brasil foi completamente humilhado e sofreu a derrota mais pesada da sua história, perante uma Alemanha altruísta e eficaz. Os germânicos, que chegam à 8ª final de um Mundial, marcaram 5 golos na primeira parte (em apenas 18 minutos) e tornaram-se na primeira selecção a marcar 7 golos numa meia final (4 golos em 6 minutos é um recorde). Para além disso, Miroslav Klose entrou para a história, ao chegar aos 16 golos em Mundiais (também se tornou no jogador com mais vitórias em Mundiais - 16) e Kroos foi o jogador mais rápido a bisar (em apenas 69 segundos). O Brasil igualou o Zaire e o Haiti, ao chegar ao intervalo com 5 golos de desvantagem e tornou-se no segundo anfitrião a sofrer 7 golos num Mundial (Suíça 5-7 Áustria, em 1954). O resultado diz tudo sobre a exibição da Canarinha. Assistiu-se a um verdadeiro desastre, com erros graves a nível individual e a nível organizacional. Os germânicos, com um jogo de equipa notável, construíram um resultado assinalável, com grandes desempenhos de Kroos, Muller e Khedira, e ficam à espera do Argentina-Holanda, para ver com quem vão jogar na final (podemos ter reedições das finais de 74 ou 86 e 90).
A história deste resume-se a 5 números - 11, 23, 25, 26 e 29. Estes foram os momentos em que a Alemanha marcou os seus golos e humilhou por completo o Brasil. Primeiro foi Thomas Muller a facturar, na sequência de um pontapé de canto (falha enorme da defesa brasileira) e depois seguiu-se o vendaval da "Mannschaft". Foram 7 minutos de extrema eficácia e altruísmo por parte dos germânicos, com 4 golos bem trabalhados pelo meio campo e ataque. Aos 23 minutos, Muller assistiu Klose para um golo histórico (Júlio César ainda defendeu o primeiro remate), aos 25 minutos, foi Lahm a cruzar para o remate de Kroos, aos 26 minutos, Khedira assistiu Kroos para o bis (perda de bola de Fernandinho) e aos 29 minutos, Ozil fez o passe decisivo para Khedira. No segundo tempo, o Brasil entrou forte e obrigou Neuer a três intervenções de grande nível, enquanto Muller obrigou Júlio César a enorme defesa, num remate à entrada da área. Depois, Low colocou Schurrle em campo e o jogador do Chelsea marcou o 6º e 7º golos da Alemanha. Mesmo em cima do apito final, Oscar marcou o golo de honra dos brasileiros.
Brasil - Jogo para a História da Canarinha, pelos piores motivos. É certo que o elenco não é dos mais fortes (vários indiscutíveis nem para engraxar as botas de Romário, Ronaldo, Rivaldo, Ronaldinho ou Kaká serviriam e só o factor casa permitia que estivessem no grupo de favoritos), e que o Brasil se viu privado do melhor jogador e do mais competente defesa, mas apanhar sete da Alemanha, em casa, num jogo decisivo, é pior do que o mais apocalíptico cenário imaginável. A verdade é que o futebol brasileiro manteve um nível a rondar entre o mediano e o medíocre durante a competição, e perante um adversário a jogar "a sério", as suas debilidades tornaram-se ainda mais evidentes. O meio-campo foi desorganizado nas suas acções (joga duro e faz muitas faltas, mas recupera poucas bolas jogáveis), as compensações foram inexistentes, abrindo-se autênticas avenidas que os alemães aproveitaram sem contemplações, e as marcações falharam a um ritmo alucinante (o primeiro golo é prova disso, com David Luiz a ver Muller fugir em plena área). Ofensivamente, a equipa nunca funcionou, faltou o seu "farol", a circulação de bola foi nula, e as individualidades esqueceram-se de aparecer. Scolari, à imagem de "outros" treinadores, nunca abdicou da sua estrutura base, mesmo que para isso continuasse a dar a titularidade a jogadores que foram autênticas nulidades durante o torneio, como Oscar. Depois sempre foi visível que este elenco estava com a pressão de 200 milhões em cima, foi demasiado choro, demasiados nervos, e depois do 1-0, caiu tudo (já podia ter caído antes tal era o descontrolo). Posto isto. Individualmente, Júlio César ainda foi o menos mau, impedindo um resultado de outra proporções. A defesa abriu buracos por todo o lado, os laterais foram ultrapassados com facilidade, e os centrais permitiram autênticos "meínhos" na sua área. David Luiz descompensou várias vezes o último reduto, e teve várias falhas individuais (praticamente culpado nos 7 golos), não fazendo valer o rótulo dos 50 milhões (incrível como comete tantos erros básicos...e também foi o 1º a perder a cabeça, tem mesmo um lance patético com Muller digno dos tempos da escola, quando reagiu mal a uma entrada e tentou acertar com a bola no seu adversário). A duplaFernandinho-Gustavo limitou-se a perder bolas e a ver os alemães jogarem, Oscar, pese o golo, foi uma nulidade, tal como Bernard e Hulk. Fred fez o que pode e sabe fazer, pouco, é certo, mas é injusto colocar-lhe o ónus da goleada, como fez o público. Ramires e Paulinho entraram numa fase em que a Alemanha desacelerou, e mostraram-se, mas quando esta voltou a um regime de seriedade, foram engolidos como os seus companheiros.


Alemanha - Passou a melhor equipa, sem dúvidas. É certo que houve muita eficácia à mistura (a certa altura, cada ataque era um golo), mas existe uma clara diferença entre os dois colectivos, e os alemães fizeram questão de o mostrar, ao conseguirem um jogo perto da perfeição (e não baixassem o ritmo, a coisa poderia ter sido mais penosa para o Brasil). Defensivamente não deram hipóteses, anulando os avançados contrários, e nunca permitiram aos brasileiros criarem perigo nas bolas paradas. Depois de sustido o ímpeto inicial, foi uma questão de assentar o seu jogo, baseado numa pressão intensa e circulação de bola exemplar, sendo que a qualidade dos atacantes, aliada a uma eficiência tipicamente germânica e à falta de egoísmo fizeram o resto. Muller deu a provar aos brasileiros do próprio veneno, com um remate em plena área após um canto, e depois a Alemanha, sentindo o Brasil tremer, não vacilou nem abrandou, continuando a pressionar em todo o terreno, e jogando sempre com os sectores juntos. Os germânicos usaram movimentações constantes para baralhar a defesa contrária, e puseram sempre homens suficientes na área para aproveitar qualquer deslize defensivo. Com o jogo no "bolso" e o adversário de joelhos, veio ao de cima a calma dos europeus, que sozinhos a meia dúzia de metros da baliza contrária, nunca se deslumbraram nem se precipitaram, decidindo sempre de forma correcta os lances de concretização. 
Na segunda parte a Alemanha entrou em ritmo de treino, mas aí apareceu Neuer a mostrar a razão de ser o melhor do Mundo, com um par de defesas impossíveis (grande sentido de colocação, associado a reflexos felinos), mas logo que passou a anestesia do gordo placar, voltaram a um registo mais sério, e ainda deu para meter mais duas bolas na baliza canarinha. Ainda assim, Ozil falhou o oitavo de modo incrível, segundos antes de Oscar fazer o tento de honra(?) dos anfitriões. Individualmente, e para lá do já referido Neuer, Khedira foi o homem do jogo, colocando uma intensidade de jogo que há muito não se lhe via, e dominando toda a zona do meio-campo (como tinha feito no Euro 2012). Lahm mostrou ainda ser um dos melhores laterais da actualidade (a sua ida para a ala dá outro fulgor ao ataque), aproveitando a falta de cobertura para entrar como quis na defesa adversária. Hummels e Boatengforam competentes quanto baste, enquanto que os atacantes fizeram aquilo que se pede a uma linha avançada moderna: movimentos constantes, pressão sobre os defesas na saída de bola, e claro, golos. Muller espalhou classe, Klose teve problemas em segurar a bola, mas na área mostrou-se letal como sempre, e Kroos esteve perto da perfeição nas combinações e na finalização. Ozil ainda assim foi o menos exuberante, enquanto que Schurrle entrou com vontade de fazer estragos com a sua velocidade.









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