terça-feira, 29 de julho de 2014

iTime. Está na hora de acordar, Apple

23/07/2014 | 12:50 | Dinheiro Vivo | Ana Rita Guerra


Por causa de um artigo que falava da dificuldade de diferenciação das fabricantes que usam Android, levei uma ensaboadela sobre como este sistema operativo é tão superior a todos os outros. Por ser de código aberto, por ser flexível, por estar em todo o lado. As pessoas que ainda usam outros sistemas - leia-se, iOS e Windows Phone, porque o resto implodiu - cedo ou tarde irão reconhecer a sua superioridade e mudar.
A minha resposta foi a seguinte: o Android terminará 2014 com 80,2% de quota de mercado. O iOS terá 14,8% e o Windows Phone 8 terá 3,5% (dados da IDC). Não sei se querem que o Android tenha 100%? É possível traçar um paralelismo entre o que está a acontecer com os dispositivos móveis e o que aconteceu com os computadores. Mas com uma certa piada: o software que venceu, Windows, é proprietário. Nenhuma variação do software de código aberto Linux o conseguiu desafiar. Agora, o software de código aberto é o rei e os sistemas proprietários da Apple e da Microsoft estão bem atrás.
Há uma diferença grande na percepção. O Windows disseminou-se de tal forma e tornou-se tão presente na vida das pessoas que passou a ser considerado obrigatório. Não se ia a uma loja dizer: "uau, eu quero este computador espectacular porque adoro o Windows e sou super fiel à Microsoft." Não havia malta com o símbolo do Windows colado na traseira do carro. Nos piores anos (em termos de segurança e de versões falhadas, como o Vista), a maioria dos utilizadores não gostava de usar Windows. Tinha de usar, e pronto.
O Android, que está a chegar próximo do domínio que o Windows conquistou nos anos noventa, é uma situação totalmente diferente. Começou por ser a alternativa e tornou-se a norma, mas não perdeu a aura de diferente, fresco e desafiador - por ser de código aberto. Há qualquer coisa de rebelde nele. Consegue rivalizar com a Apple nos defensores acérrimos e já tem o maior ecossistema de aplicações do mercado, embora gere ainda menos receitas que a App Store.
Serve isto tudo para dizer que há um risco muito real de que o Android venha a significar 90% ou 95% do mercado mundial dentro de (poucos) anos. Mau em todos os aspectos - excepto para a Google, claro, que terá a maior base de dados de utilizadores do mundo sem grandes custos, com todas as suas actividades e gostos mapeadas e prontas a usar. Correio electrónico? Gmail. Site de vídeos? YouTube. Motor de busca? Google Search. Navegador? Chrome. Software on demand? Google Apps. Loja de música? Google Play Music. Software de mapas? Google Maps. Sistema operativo em que tudo isto se passa? Android.
Mau, porque nenhuma situação de domínio tão completo é boa para a concorrência. Ainda que a Apple tenha uma posição bem mais confortável no mercado doméstico - tem 32,5% de quota, contra 61,9% do Android - a tendência é de queda. É bom que a estratégia de Satya Nadella na Microsoft dê frutos e a nova Nokia volte a ter sucesso. É bom que a BlackBerry não desapareça definitivamente. É bom que a Apple acorde e lance inovações significativas, não apenas incrementais. O relógio inteligente de que se fala há anos - e para o qual a marca submeteu uma patente em 2011 - é um bom princípio. Este outono não é o tudo ou nada da Apple. Mas vai ser bastante mais importante que os últimos.

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