sexta-feira, 4 de julho de 2014

Mundial: Alemanha de serviços mínimos garante quarta meia-final consecutiva num Mundial


Um golo solitário de Hummels, logo aos 13’, derrubou os franceses, que não tiveram argumentos para contornar a sólida defesa germânica.

Uma Alemanha de serviços mínimos foi suficiente para garantir a quarta presença consecutiva nas meias-finais de um Mundial e a sexta em grandes torneios, se somarmos os dois últimos europeus. O único golo da partida surgiu logo aos 13’ e foi fatídico para as ambições da França. Seria o momento de maior exaltação no Estádio Maracanã, no Rio de Janeiro, preenchido maioritariamente por adeptos brasileiros, mas também com muitos colombianos nas bancadas, todos em estágio para a outra partida do dia, em Fortaleza. Os germânicos souberam depois gerir a curta vantagem, com raros sobressaltos defensivos e até alguma displicência atacante.

O seleccionador Joachim Low admitira na véspera que a Alemanha ainda não tinha mostrado a sua melhor versão no Brasil e também não foi esta sexta-feira que o fez. Não é que o triunfo não tenha sido justo, premiando a equipa que mais trabalhou e melhor talento apresentou em campo para o alcançar. Mas a exibição ficou aquém daquilo que as individualidades germânicas prometem. Os franceses, diga-se, também não puxaram muito pelo adversário, nomeadamente em termos ofensivos. Quando o técnico Didier Deschamps quis mudar, já era tarde de mais. Mesmo assim, Benzema ainda testou os reflexos do guarda-redes Manuel Neuer ao cair do pano.

POSITIVO/NEGATIVO

Toni Kroos
Numa altura em que estará praticamente acertada a sua contratação pelo Real Madrid, por uma verba a rondar os 25 milhões de euros, o médio de 24 anos, tem sido uma das maiores estrelas da selecção alemã. É o recordista de passes neste Mundial e foi crucial a sua assistência para o golo que colocou a equipa nas meias-finais. Limitou ainda a acção de Pogba e simultaneamente do meio-campo francês.

Hummels
Um golo que valeu a eliminatória e uma acção defensiva recheada de intervenções providenciais.

França
Uma fraca exibição, com a equipa a acusar muito a desvantagem madrugadora. Mas, face ao passado recente, a campanha no Brasil foi meritória.

Özil
Tarda em aparecer no Brasil, pelo menos ao nível que se lhe reconhece.

Foi de bola parada que o golo solitário surgiu no início de uma tarde quente no Maracanã, mas só ao nível da temperatura atmosférica. Toni Kroos cobrou exemplarmente um livre, descaído na esquerda, com Hummels a subir mais alto do que o Varane e a bater Hugo Lloris. A bola ainda tocou na trave antes de entrar. Foi o segundo golo do defesa central neste Mundial, depois de ter também marcado na partida frente a Portugal (4-0). E o jogador esteve muito perto de voltar a fazer abanar as redes na recta final da partida (81’), mas desta vez na baliza errada.
Em desvantagem no marcador, pela primeira vez no torneio brasileiro, o conjunto francês não soube reagir. Face ao bloqueio germânico no meio-campo, procurou surpreender com um futebol mais directo, lançando a bola para as costas da defesa adversária. Valbuena esteve perto do êxito, aos 34’, mas a mão esquerda de Neuer manteve a sua baliza inviolada, tal como o faria, com a mão contrária, no tal lance de Benzema já no último suspiro dos descontos. A experiência como antigo guarda-redes de andebol continua a representar uma vantagem acrescida para o dono das redes alemãs.
Mas antes desta insípida reacção francesa, terá ficado por marcar uma grande penalidade a favorecer os germânicos, quando o lateral direito Debuchy puxou pela camisola de Miroslav Klose na área. A queda desproporcionada do avançado terá convencido o árbitro que se tratava de uma simulação.
A partida prosseguia sem grandes atractivos e, nas bancadas, para estimular um pouco o ambiente, iniciou-se um confronto de cânticos entre brasileiros e colombianos, com estes últimos a manifestarem-se corajosamente e sem cerimónias no mítico estádio carioca. No relvado, a primeira parte terminava com mais um lançamento longo, agora de Pogba (sempre muito vigiado por Kroos), que encontrou Benzema, mas o francês permitiu uma defesa fácil a Neuer.
Com obrigação de assumir o encontro, a França regressou para a segunda metade mais pressionante. Subiu as suas linhas, procurando criar alguma superioridade no meio-campo e libertar-se do bloqueio alemão, mas encontrava um muro defensivo quase sempre intransponível pela frente. A progressão parava nos derradeiros 30 metros. O conjunto de Deschamps abria, por outro lado, espaços na sua retaguarda e esteve sempre mais perto de sofrer o golpe de misericórdia do que de equilibrar o marcador.
Alguma descontracção excessiva dos germânicos no último remate acabou por manter o resultado como estava. Muller falhou ligeiramente o alvo, aos 69’, e ainda iria partilhar com o recém-entrado Andre Schuerrle (que rendeu Klose, aos 68’) a perdida mais escandalosa da tarde, aos 83’. A um cruzamento da esquerda de Ozil, Muller não acertou na bola, sobrando esta para o seu companheiro que, completamente isolado, atirou displicentemente possibilitando a defesa de Lloris com as pernas.
Com naturalidade e sem o sofrimento da partida com a Argélia, nos oitavos-de-final, a Alemanha volta a garantir presença numa meia-final. PÚBLICO

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