terça-feira, 5 de agosto de 2014

À catanada


Treze pessoas foram mortas no mais recente ataque terrorista na província chinesa de Xinjiang. A acção teve lugar anteontem na cidade de Tarkant, localizada perto da fronteira com o Taquistão. As vitimas pertenciam à etnia han, maioritária na China, mas minoritária na região. O ataque, que destruiu mais de 30 carros, coincidiu com a festa que celebra o fim do Ramadão, uma celebração religiosa envolta em polémica após a decisão do regime comunista em não respeitar ostensivamente o período de jejum. Os terroristas acabaram por serem abatidos pelas forças policiais. Os ataques a migrantes chineses têm-se multiplicado e as responsabilidades recaem sobre extremistas uígures que lançaram uma campanha de terror contra o que entendem ser a opressão do governo chinês na província. Em Março, 33 pessoas morreram e 143 ficaram feridas num ataque à estação de comboios de Kunming. Em comum, os ataques terroristas iniciam-se quando grupos armados com catanas, facas e machados, após definirem o local, “varrem” as pessoas que encontram pela frente. Em Maio, o “modus operandi” foi diferente e um ataque terrorista com carros-bomba causou 39 mortos e mais de 100 feridos no mercado da capital regional, Urumqui. Neste ano centenas de pessoas foram assassinadas em ataques que as autoridades de Pequim atribuem a terroristas associados ao jihadismo e que procuram erguer o Turquistão Oriental, um país independente da China. Este país teria a uma área equivalente a três vezes o tamanho de França e faria fronteira com a Mongólia, Rússia, Casaquistão, Quirguistão, Tajiquistão, Afeganistão, Paquistão, Índia, Tibete e, claro, com a China. Para além da importância geoestratégica, a província que conta com quase 22 milhões de habitantes, é rica em recursos de grande importância para a China como o ouro, urânio, gás natural e petróleo. Os uígures, de cultura e língua turcomanas apontam para a componente demográfica como uma das origens dos problem
as, pois as autoridades chinesas estão a implementar um plano de construção de infra-estruturas que possam permitir a chegada massiva de chineses da etnia han. Outro ponto importante na discórdia entre as duas partes prende-se com o veto obstinado de Pequim à religião. À semelhança do que acontece com outros credos – o cristianismo está igualmente incluído – existem normas muito apertadas que pretendem controlar os fenómenos religiosos no país. No caso de Xinjiang, as mesquitas são controladas por elementos ligados à administração chinesa e há normas legais que limitam a cultura local. A China continua a perseguir os membros da seita Falun Gong e a atacar os bispos e sacerdotes católicos não registados na “igreja católica oficial” chinesa. Nestes últimos dias, mais de 100 igrejas ou parte delas foram demolidas a pedido das autoridades. O “último grito” passa por retirar os crucifixos dos edifícios. Os mais realistas dirão que todos estes acontecimentos resultam da engenharia social e da opressão, uma forma natural de ser, estar e agir do regime chinês.


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