quinta-feira, 7 de agosto de 2014

As prendas islâmicas


No Iraque, o grupo terrorista sunita Estado Islâmico exige às famílias em Mosul que procedam à circuncisão das raparigas. Caso não o façam, sofrerão castigos severos. A decisão, do Califa Abu Bakr al-Baghdadi, de todas as mulheres serem excisadas, servirá para prevenir a imoralidade e promover comportamentos islâmicos entre os muçulmanos. A mutilação genital feminina é entendida pelo Estado Islâmico como “uma prenda ao povo de Mosul.” Apenas na cidade síria de Homs, nos últimos dias, contam-se mais de 700 mortos, em consequência dos combates entre as tropas leais ao governo sírio e os rebeldes que lutam entre si e contra o regime de Bashar al-Asad. Em Damasco, os combates não cessam e no distrito de Jobar a força aérea tem intensificado os bombardeamentos, desconhecendo-se o balanço de mortos e feridos. O enviado especial do Secretário-Geral das Nações Unidas para o Iraque, Nickolay Mladenov, acusou o Estado Islâmico de “executar horríveis actos terroristas” e solicitou ao Conselho de Segurança que peça ao grupo sunita que acabe com as operações, pois “o seu crescimento converteu-se numa ameaça completa à paz e à segurança do Iraque e de toda a região.”
Nickolay Mladenov não descobriu como levar o grupo terrorista a ver a luz da razão, mas sustém que a solução para as ameaças “não pode ser encontrada na caixa de ferramentas das operações militares.” A verdade é que não irá descer dos céus uma solução pacífica que liberte parte da Síria e cerca de um terço do território do Iraque das vontades assassinas dos terroristas. No plano político, o impasse continua no Iraque. As autoridades revelam-se incapazes de formar um governo que seja aceite por todos os grupos religiosos e que conte com a cooperação do governo do Curdistão iraquiano. A organização juvenil do Movimento Jihadista Salafista da Jordânia acaba de jurar fidelidade ao Estado Islâmico e acusar de “ilegítima” a cúpula dirigente da al-Qaeda. A organização jordana que representa perto de seis mil membros criticou os clérigos extremistas Abu Mohamed al-Maqdisi (erudito salafista e mentor de Abu Musab al-Zarqawi) e Abu Qatada pelas críticas proferidas contra o Estado Islâmico e sublinhou que “o correcto e a obrigação de todos é apoiar o Estado islâmico.” Os clérigos têm afirmado por diversas ocasiões que a declaração do califado por parte do Estado Islâmico aprofundará os combates internos entre as facções jihadistas. A verdade é que o Reino da Jordânia, para além da ameaça externa, possui dentro da sua sociedade as sementes do terror em forma de juramentos de fidelidade a um grupo que tem como principal condão ter colocado a al-Qaeda como uma organização moderada. Com estes presentes todos, o que de mal poderá ainda acontecer?

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