quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Farc sem vergonha


As negociações de paz trilham caminhos tão perigosos como promissores. Os negociadores do governo colombiano e dos guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) a 22 de Agosto irão dar início a uma comissão cujo objectivo é tratar dos aspectos técnicos que conduzam ao fim do conflito. Aquele comité tratará dos assuntos relacionados com o cessar-fogo e o fim das hostilidades. Sabe-se que o grupo inicial será formado por 10 membros de cada delegação e a sua primeira tarefa passará por estabelecer já no próximo dia 12 de Agosto um cronograma de trabalho. Um dos pontos mais quentes a ser discutido na capital cubana, local onde estão a ser conduzidas as negociações, é o de escutar as vítimas do conflito.
No sentido de virar o rumo dos acontecimentos, o núcleo duro da comissão será composto por 12 especialistas tidos como independentes e por dois relatores que dentro de um prazo de quatro meses irá elaborar pareceres sobre as origens e causas do conflito, factores que contribuíram para a sua duração e as principais consequências sobre as populações. Estas iniciativas, asseguram as autoridades, “não substituem nem determinam nenhum elemento da futura comissão da verdade” que no futuro irá ajudar a colocar um ponto final no conflito armado que persiste há mais de 50 anos.A guerrilha marxista e o governo da Colômbia reiteram a “importância de escutar as vítimas sem discriminação.” A primeira dificuldade surge quando as delegações que viajarem para Havana lhes ser impossível representar a totalidade das vítimas causada pelo conflito, apesar de terem recebido cerca de quatro mil propostas de várias associações ligadas às vítimas, incluindo de alguns daqueles que tiveram que fugir do país. O grande problema reside, no entanto, na insistência por parte das FARC em incluir na delegação os seus combatentes que se encontram presos e feridos. O pedido para que as autoridades colombianas acedam com garantias e permissões para que os terroristas se desloquem a Havana, já foi feito. As associações de vítimas da violência provocada pela guerra na Colômbia pediram aos negociadores que ampliem o universo das vítimas reconhecidas como tal, por forma a se alcançar a máxima reparação possível a quem ficou no meio da luta entre as FARC, paramilitares e exército. Trata-se de não deixar cair no esquecimento os 220 mil mortos, 25 mil desaparecidos, quase seis milhões de refugiados e 27 mil sequestrados.O Presidente da Colômbia Juan Manuel Santos sossegou os militares ao afirmar que as negociações de paz não implicam a discussão do futuro das forças militares e da polícia nacional. “Quero reiterar uma vez mais aos membros das nossas forças militares e polícia que vocês não estão sequer na agenda (das negociações), não são motivo de discussão.” Juan Manuel Santos garantiu na cerimónia oficial da comemoração do 195º aniversário do exército que “qualquer modificação relacionada com as forças armadas e a polícia será resolvida aqui na Colômbia, entre os comandantes, o Presidente da República e o Ministro da Defesa. Não é verdade que estejamos a discutir a redução, o aumento, as mudanças com as FARC”, assegurou. Caso não se chegue a um acordo, Juan Manuel Santos afirma que a ofensiva militar é para continuar. “Continuaremos a combater porque essa é a forma de chegar ao final do conflito mais rapidamente, por isso não iremos ceder nem um único centímetro do nosso território a qualquer conversação que se faça no exterior.”


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