segunda-feira, 18 de agosto de 2014

O castelo

Rui A. in Blasfémias

O Porto vive um extraordinário momento de reanimação e crescimento, suportado por um surto de turismo europeu que anima o comércio, a restauração e a hotelaria. Este crescimento de que todos beneficiamos é feito apesar de e contra o estado e os poderes públicos, que para além de se intrometerem na vida das empresas em busca de receitas fiscais extorsionárias, lhes impõem toda a sorte de exigências legais, burocráticas e formais na gestão dos seus negócios.
Um desses negócios é a recuperação urbanística dos velhos prédios em ruínas da baixa e arredores, com destino à construção de pequenos apartamentos de investimento essencialmente turístico. Quem se aventurar nessa empreitada conhecerá, ao invés do incentivo e do apoio das autoridades, que deveriam preocupar-se com as décadas de abandono imobiliário da cidade, os “rigores” de leis e portarias municipais cuja principal finalidade parece ser a de que ninguém faça coisa nenhuma. Num país decente, este esforço empreendedor de cidadãos e de empresas esmagados por uma fiscalidade de piratas devia ser estimulado, por exemplo, com isenções fiscais por prazo generoso para quem se dispusesse a gastar o seu tempo e dinheiro a recuperar um belíssimo património imobiliário que foi destruído por décadas e décadas de leis absurdas. Ao invés, em Portugal prefere-se lixar a vida a quem quer fazer alguma coisa, bastando, para tanto, aplicar uma dessas inúmeras leis que regulamentam tudo e mais alguma coisa, com excepção de nos explicarem como é que se transforma uma cidade em ruínas num lugar onde valha a pena viver.

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