sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Putin com dois pesos e duas medidas


Fora da Rússia, os russos têm direito a tudo, mas, no seu próprio país, têm direito a cada vez menos, principalmente no que diz respeito a direitos políticos.
Bastou que um grupo de pessoas tenha pedido autorização das autoridades para uma manifestação a favor de maior autonomia, sublinho, nada de independência, mas apenas autonomia, da Sibéria, para que o Kremlin lançasse um forte ataque com vista a silenciar essa iniciativa.
Os organizadores da manifestação, a realizar a 17 de Agosto em Novossibirsk, a principal cidade da Sibéria, pediram autorização para uma reunião de até 350 pessoas a fim de, segundo se lê num comunicado dos organizadores, “realizar o seu direito constitucional aos próprios órgãos do poder, mais independentes do centro, e pôr fim à situação idiota quando todas as decisões são tomadas pelo governo em Moscovo, onde não temos representantes”.
Todavia, os organizadores do evento sublinham defender a “criação de uma República Siberiana Autónoma no seio da Federação da Rússia”.
Porém, a Procuradoria-geral da Rússia ordenou o bloqueamento nas redes sociais de qualquer informação sobre essa iniciativa, ordem que foi cumprida de imediato pelo Facebook e Vkontakte.
Além disso, o Comité de Controlo das Comunicações da Rússia “recomendou” a 14 órgãos de informação do país a não publicitarem “actos ilegais”, Na véspera, o jornal electrónico Slon.ru retirou da sua página uma entrevista com Artiom Loskutin, pintor de Novossibirsk e um dos organizadores da marcha.
Segundo a nova lei recentemente assinada pelo Presidente Putin, os “apelos ao separatismo” são castigados com penas que vão de trabalho obrigatório até 480 horas de trabalho ou até seis anos de prisão.
Porém, os separatistas pró-russos na Crimeia e no leste da Ucrânia mereceram e merecem todo o apoio do Kemlin.
Ao ocupar a Crimeia e ingerir-se abertamente no leste da Ucrânia, Putin abriu uma caixa de Pandora extremamente perigosa para a Rússia.
“Disse várias vezes que a guerra com a Ucrânia conduzirá a tendências centrífugas e ao aumento do separatismo na Rússia. O bumerangue volta sempre”, previne Boris Nemtsov, um dos líderes da oposição russa.

Uma clara política de dois pesos e duas medidas que põe e causa a integridade territorial do país. Caso a Rússia enfraqueça política, económica e militarmente, o Kremlin deve ter presente que o país tem litígios territoriais com praticamente todos os vizinhos.

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