segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Catalunha pede referendo após Sim simbólico à independência

JN

Cerca de 80% dos catalães que foram votar disseram Sim, de forma simbólica, à independência e ganharam força para voltar a exigir um referendo vinculativo. Madrid diz que consulta foi "inútil"
A grande pergunta que todos queriam ver respondida não era nenhuma das que estavam escritas no boletins de voto usados pelos catalães na "consulta popular" realizada domingo.
Até porque o voto era simbólico e ninguém previa que o "Não" pudesse ter a maioria. O mais importante era, sim, saber quantas pessoas iriam deslocar-se a um dos 1317 locais de voto espalhados pela Catalunha, para, depois, medir com maior rigor a intensidade do atual movimento independentista catalão.
Os números oficiais chegaram ontem, já perto da meia-noite. Com cerca de 90%dos votos contados, 80,7% votaram Sim a que a Catalunha seja um Estado independente. Cerca de 10% querem que a Catalunha seja um Estado, mas não independente e 4,6% não querem que a região seja um Estado.
A estimativa do governo catalão aponta para que 2,25 milhões de eleitores tenham ido votar (entre 40 a 50% dos votantes), número que ajuda os independentistas a manter a pressão sobre o governo de Madrid.
Artur Mas, o presidente da Generalitat catalã não hesitou em classificar a votação como um "êxito total". "Queremos decidir o nosso futuro político e somos suficientemente adultos para o fazer", disse em conferência de imprensa, antes dos resultados serem anunciados. Mas foi mais longe: "Queremos um referendo legal e vinculativo", exigiu, reivindicando do governo central "negociações e acordos".
Os catalães votaram sem incidentes de maior, mas houve uma clara tensão política entre o governo e os independentistas catalães.
O partido UPyD, pró-união, apresentou uma denúncia contra o presidente da Generalitat, a quem acusou de não cumprir a suspensão da consulta decretada pelo Tribunal Constitucional. O partido liderado por Rosa Díez solicitou também a retirada imediata das urnas de voto, uma petição que os juízes descartaram por considerarem que seria "desproporcionado".
O Ministro de Justiça, Rafael Catalá, qualificou a consulta de " inútil e um ato de pura propaganda política que carece de efeitos jurídicos". O governante deixou em aberto a possibilidade de aplicar "medidas legais".
Por sua vez, Artur Mas garantiu, durante o dia, não estar preocupado com as consequências, assegurando ser ele o "único responsável" pela convocação do "processo participativo".
Os moldes em que se realizou a consulta alternativa levantaram, de resto, algumas críticas, por falta de garantias democráticas e carência de censos oficiais.

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