quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Como já se vê Portugal, desde o Brasil "Colonizadores colonizados"


Em 1808, quando Dom João VI e sua Corte aportaram no Rio de Janeiro, o Brasil transformava-se na sede de todo o Império Ultra-Marino português. A vinda da Corte trouxe innúmeros benefícios para a ex-colônia que ganhou calçamento, teatros, escolas de arte, ampliação, reforma e construção de várias igrejas; faculdades e a aberturas dos portos. 
Nos dias atuais, chineses, brasileiros e angolanos protagonizaram as mais recentes e maiores aquisições de empresas portuguesas. Ficaram para trás os anos da invasão espanhola e, portanto, o receio em relação ao país vizinho. Hoje, a água, a eletricidade e os hospitais portugueses caíram nas mãos de chineses.
A China Three Gorges pagou 2,7 bilhões de euros (8,6 bilhões de reais) por 21,3% da elétrica EDP; o grupo Fosun, do mesmo país, assumiu o controle da Fidelidade, seguradora líder de mercado, pagando 1,01 bilhão de euros (3,2 bilhões de reais) e há um mês deu outro passo, ao desembolsar 480 milhões de euros (1,5 bilhão de reais) pela Espírito Santo Saúde, que administra cerca de 20 centros hospitalares no país.
A State Grid, outra estatal chinesa, comprou 25% da Red Eléctrica Nacional (por 387 milhões de euros, ou 1,2 bilhão de reais) —depois o grupo Fosun adquiriu outros 5%—, e a Beijing Enterprises Water Group, de Pequim, adquiriu por 95 milhões de euros (304 milhões de reais) a Veolia, empresa de abastecimento de água de Portugal. Em três anos, a China gastou 5,38 bilhões de euros (17,2 bilhões de reais) na aquisição de empresas portuguesas; em termos de volume, Portugal é o quarto país europeu com investimentos chineses, mas o primeiro em proporção à sua população.
O Brasil também colocou seu antigo colonizador no radar. A Camargo Corrêa comprou a Cimpor por mais de 5 bilhões de euros; dois anos antes de a operadora Oi usar a PT como moeda de troca para levantar fundos e adquirir a subsidiária brasileira da Telecom Italia, e assim se consolidar em seu país de origem.
Se os investidores chineses se concentraram em serviços básicos, os angolanos preferiram o mundo financeiro e os meios de comunicação. Em Portugal, se consolidaram com sucursais de seus próprios bancos (BIC, Atlântico, BAI, BANC e BNI), mas também entraram como acionistas de instituições locais. Uma parceria da filha do presidente de Angola, Isabel dos Santos, tem uma participação de 10% no BPI; e a Sonagol, petrolífera estatal africana, possui uma fatia de 20% do BCP, além disso controla a petrolífera portuguesa Galp. Dos Santos também tem uma elevada participação na operadora NOS, líder em TV por assinatura, e agora disputa a PT.
No setor de mídia, os fundos angolanos também são donos do grupo Controlinveste (Diario de Noticias, Jornal de Noticias, rádio TSF e o jornal de esportes O Jogo), e já manifestaram interesse pela estatal Rádio e Televisão de Portugal, caso seja privatizada.
Os angolanos, que desembarcam nos fins de semana em Lisboa para fechar as lojas de luxo da avenida Liberdade, os chineses, mais discretos, e os brasileiros são hoje os colonizadores da antiga metrópole. Portugal começa a ver a Espanha com menos receio do que antes, e os espanhóis olham os portugueses com menos arrogância, solidários diante de suas semelhantes dificuldades.

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