sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Mário Soares e a comunicação social

John Wolf in Estado Sentido
Mário Soares não acredita em Portugal. Mário Soares não tem fé nas instituições que ele próprio ajudou a dar à luz. Mário Soares insulta o cidadão comum e o tribunal de instrução criminal - ofende o Estado de Direito e enxovalha a Democracia. Mário Soares serve-se da sua condição para furar as regras de visita ao estabelecimento prisional. E Mário Soares tem medo. Mário Soares apresenta-se amparado por uma enfermeira, mas ainda tem fôlego para ser brejeiro e dar uma péssima imagem de um ex-Presidente da República. José Sócrates faz o que qualquer acusado faz - defende-se, e irá servir-se de todos os argumentos para o fazer. É natural que o faça, mas contradiz-se de um modo flagrante. Se o caso é político, como afirma, não pode ser exclusivamente pessoal - uma perseguição individual. Ou seja, sendo um processo político, diz respeito ao Partido Socialista. Mas há mais. Se José Sócrates considera que as imputações são injustas, está a aceitar a figura de imputação, embora não concorde com o grau da admoestação. Ou seja, a culpabilidade está presente nas suas primeiras linhas de defesa, difundidas pela TSF e o jornal Público. Podemos ter a certeza de que o special one vai usar a sua coragem extraordinária para montar uma PIDS (Polícia Internacional de Defesa do Sócrates). Isto vai dar pano para mangas.

Bruno Alves n'O Insurgente
Ao contrário do Miguel Noronha, não deixo de comentar as declarações de Mário Soares à porta da prisão onde este visitou o preso preventivo José Sócrates. Como seria de esperar, as declarações indignaram uma série de gente, o que se compreende, dado o seu teor inenarrável. Mas o que me indignou – passe o exagero – a mim foi a atitude da comunicação social, que, ao lhe dar atenção e destaque, explora um senhor de idade bastante avançada e – aparentemente, pelo menos – com cada vez maior debilidade, aproveitando-se dessa sua condição e do carácter bombástico das suas declarações para encher a sua programação noticiosa e criar ruído para a continuar a alimentar. Quem leia isto talvez ache que estou a atacar Soares de forma meio irónica e velada, criticando a comunicação social só para usar a oportunidade de chamar “senil” a Soares. Não estou. Acho verdadeiramente impressionantes e condenáveis as imagens de um senhor de quase 90 anos a ver a sua natural debilidade a ser explorada por uns senhores que deviam ter maior responsabilidade (para não falar em consideração pelas pessoas: também eles tiveram ou têm pais e avós que chegaram ou vão chegar aquela idade; também eles terão um dia aquela idade), mas que dão prioridade a terem rastilho para uma polémica que, como bem sabem, aquelas palavras iriam criar.

Sem comentários: