quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

A pobreza na União Europeia



Informa-nos o Inequality Watch que, segundo dados referentes a 2010, cerca de 16,4% da população da União Europeia (UE) é, neste momento, pobre. Isto perfaz um total de 80 milhões de cidadãos europeus. As mulheres são as maiores vítimas de toda esta miséria: 17,1% são pobres, contra uma taxa de 15,7% para os homens, e 20,2% das crianças da UE com menos de 16 anos de idade vivem numa situação de pobreza.


Por norma, estas crianças são oriundas de famílias que vivem com graves dificuldades financeiras e a sua mobilidade social no sentido positivo é relativamente baixa. Uma criança que nasce numa família pobre, muito dificilmente irá ter acesso à educação de qualidade de que beneficiam os meninos e meninas oriundos dos meios mais privilegiados. Uma criança que nasce pobre, na UE, provavelmente irá morrer pobre: 21,6% dos jovens da UE entre os 16 e os 24 anos são pobres.
A situação é alarmante se tivermos em conta que nos últimos anos aumentou drasticamente o número de jovens desempregados e precários. Nada nas atuais políticas europeias aponta para uma mudança ou inversão da situação, pelo contrário. Tudo indica que a situação irá piorar consideravelmente, sendo provável que termine em graves conflitos sociais e violência ou guerra civil generalizada, a continuar a atual tendência.
14,8% dos "cidadãos" da UE entre os 25 e os 49 anos são pobres e 13,5% daqueles que têm entre os 50 e os 64 anos são pobres também. Os idosos sofrem mais: 15,9% são pobres. Destes, muitos têm de optar entre comprar a comida ou os medicamentos, outros não têm dinheiro para adquirir praticamente nada e por isso limitam-se a sobreviver à custa da caridade e engrossando as filas da "sopa dos pobres" ou "sopa da humilhação" como lhe deviam chamar...
Extremamente preocupante e grave é a situação das assim chamadas famílias monoparentais na UE. Destas, um total de 36,9% são pobres e 26% das famílias tradicionais com três ou mais filhos são pobres, assim como também são pobres 25% dos cidadãos que habitam sozinhos. Já 14,9% das famílias tradicionais com dois filhos são pobres e 11,3% dos casais sem filhos são pobres. Face a esta situação calamitosa, não é minimamente de surpreender que os cidadãos da "poderosa" UE tenham cada vez menos ou nenhuns filhos. A Europa está a morrer de velha, mas parece que poucos se preocupam seriamente com isso.
A pobreza é, por definição, uma besta humilhante. Ora, tal humilhação até se afigurava suportável se existissem razões e justificações para tal, coisa que não acontece de forma alguma. O que acontece, ao invés, é que a UE está literalmente sequestrada por uma elite que vive na alta luxúria e que não é capaz de "ver um palmo diante do nariz". (...)

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