segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Definhamento do tirano

Eduardo Fonseca, jornalista

As eleições no PSD-Madeira vieram confirmar aquilo que já ninguém podia negar – definitivamento o povo madeirense não quer mais nada com aquele que durante quatro décadas abusou da autoridade para vexar os que dele dependiam. Agora já nada nem ninguém lhe passa cartão, lhe obedece ou lhe quer seguir o rasto. Acabou-se a tirania, a opressão, o despotismo. Mas, para ter a garantia que tudo isso acabou, o povo laranja tem de ter a certeza de que não há meios de prossecução dessa política que deixou a Madeira em estado catastrófico.
Não é garantido que o PSD ganhe as eleições regionais do próximo ano, mas, no caso de a oposição continuar também ela a definhar-se, é necessário e urgente limpar todo o mofo que fede na Rua dos Netos. E não é com a fidelidade canina ao homem do dedo em riste, que alguém ousa em prestar-lhe, que se limpa tamanho bafio.
Ficou demonstrado na primeira volta das eleições internas que, mesmo os de dentro do partido da ditadura, selvaticamente perpetrada contra os madeirenses, votaram maioritariamente contra a politica do partido dum homem só e acabaram por deixar o homem a falar só e sem partido.
Quase 50% dos votos – só faltou “uma coisinha assim” para evitar a segunda volta – contemplaram o candidato mais odiado pelo velho odioso, enquanto mais de 70% votaram contra o outro candidato que vai à segunda volta e que é apoiado pelo moribundo presidente. Não foi uma última inauguração, com os dois, lado-a-lado, com carne e com vinho, tentando engodar de novo o povo, que fez mudar as ideias dos filiados. Eles sabem o que querem e o que já não querem.
Significativo é também o facto de os dois candidatos da área da governação, Manuel António Correia e João Cunha e Silva terem somado juntos menos votos que Miguel Albuquerque sozinho.
Ficou bem claro que a acompanhar a mudança de presidente, os votantes do PSD também querem mudança de políticas a orientar aquele partido e, eventualmente, a governar a Madeira.
Outra demonstração, também ela importante, tem a ver como aquele partido, afinal, consegue promover as eleições mais democráticas de sempre, no dizer de alguém, desde o 25 de Abril, sem acusações de falcatruas, tratantadas ou chapeladas, como se ouviu falar no acto eleitoral de há dois anos, embora sem esquecer o que foi dito sobre o aproveitamento dos meios que terão sido utilizados por parte de quem (se) governa, no actual acto eleitoral.
E aqui pode residir um dos vários factores que jogam a favor de Miguel Albuquerque para o tira-teimas do dia 29: os dias de descanso da quadra natalícia poderão enferrujar a máquina do outro candidato.
Além de que os menos informados, ou indecisos, votam sempre a favor dos que ganham. E Albuquerque já ganhou.
Por tudo isto, parece não restar dúvidas de que Miguel Albuquerque terá, de amanhã a uma semana, o seu maior dia de glória, apontando-se até para uma maioria esmagadora de votos, embora se preveja uma diminuição de votantes. E poderá o antigo presidente da Câmara do Funchal passar o ano com a grande esperança de vir a ser o próximo presidente do Governo Regional – se a oposição o deixar. Seja ou não seja, podem esfregar as mãos de contentes os opositores do velho chefe da Quita Vigia, porque é certo o seu declínio e está garantida a sua maior derrota pessoal, já ao cair da cadeira.

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