sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Em Pequim há cada vez mais “formigas” humanas debaixo do solo



Chegam a Pequim à procura de oportunidades de trabalho ou para estudar, mas não têm dinheiro para pagar uma renda, devido ao elevado preço dos imóveis. Acabam a viver em sótãos, abrigos e outras casas subterrâneas, por uma renda média mensal que ronda os 70 dólares (aproximadamente 57 euros) mensais. São conhecidos por “ratos” ou “formigas”.
O fenómeno está longe de ser novo, mas há cada vez mais pessoas a habitar debaixo do solo, na capital da China. Annette Kim, professora da University of Southern California (USC), que se debruça sobre questões de urbanismo, passou um ano na capital chinesa a estudar o mercado imobiliário do subsolo e faz um pequeno balanço daquilo que viu, noticiado pela NPR e pelo jornal da USC.
“Nós temos uma imagem de buracos de rato, mas alguns são bem iluminados e limpos. A principal vantagem é que estão no centro da cidade e isso é muito valioso para as pessoas. Ali perdem menos tempo em viagens e podem até manter dois empregos”, resumiu a professora.
O tamanho médio destas “casas” debaixo do solo ronda os 6,2 metros quadrados, mas mais de metade dos abrigos com anúncio online tinha acesso a internet e alguns até possuíam câmaras de vigilância. A maioria dos abrigos estava perto de transportes públicos. Os habitantes são sobretudo jovens, que migram de outros pontos do país à procura de mais oportunidades. A renda média mensal ronda os 70 dólares, mas um estudo de 2012, promovido pelo governo chinês, concluía que 48% da população migrante de Pequim pagava menos de 48 dólares por mês. O fotógrafo residente em Pequim, Chi Yin Sim documentou a vida subterrânea de Pequim em registos fotográficos.
Milhares de abrigos têm sido construídos desde 1949, até porque os construtores estão obrigados a construir abrigos para eventuais bombardeamentos ou outras catástrofes naturais, e apesar de o seu uso para habitação ter sido proibido pelo Governo em 2010, cada vez mais pessoas acabam por ir para lá morar. Não há dados certos, sendo que os números avançados variam entre 280 mil e um milhão de habitantes a morar debaixo do solo, num total de 21 milhões de residentes em Pequim.
Nos anos 80, o governo da China chegou mesmo a impulsionar o desenvolvimento de apartamentos subterrâneos como solução para a escassez de habitação.

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