segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

O fim do chocolate



Enquanto a malta se distrai com minudências como a prisão preventiva do ex-PM, os pérfidos banqueiros do Espírito Santo ou os vistos manhosos a chineses duvidosos, a sua atenção é desviada de coisas realmente importantes. Nomeadamente o anunciado fim do chocolate, tragédia maior da sociedade moderna, fim dos tempos e trombeta do apocalipse.

Ou talvez não. Se calhar a malta está a ignorar a notícia porque se trata de um enorme disparate de quem não sabe fazer contas e/ou não percebe nada de como funciona a economia. Ou ainda, parafraseando Adam Smith, de pessoas do mesmo negócio a conspirar uma invenção para subir preços. Como se pode ver na figura, a produção de cacau parece tudo menos em declínio. Nem se pode tecer uma teoria do género “peak cocoa”, pois o cacau não é um recurso finito, ao contrário do que os títulos sensacionalistas sugerem. Tem também piada a sugestão de que os preços em Portugal já estão a aumentar por causa disso, na medida em que a matéria-prima paga no produtor representa em média 3 a 5% do preço final. Por fim, é hilariante a ideia de que o vírus ébola e o aquecimento global estão a afectar a produção. Os países do presente surto de ébola representam 0,7% da produção mundial de cacau. Quanto ao aquecimento global, nem vale a pena comentar.

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