sábado, 20 de dezembro de 2014

PSD-Madeira: A implosão esperada


Alberto João Jardim já perdeu o seu espaço e tempo. Corre o risco de lhe não ser reconhecido o que, apesar de tudo, fez pela Madeira e ser forçado a não reagir ao empurrão de saída pela porta pequena.
Os resultados da primeira volta das eleições para a liderança no PSD-Madeira, deixam bem transparecer que, se aqueles eleitores não sabem bem o que querem, sabem já o que não querem. Os representantes do “poder instituído”, um vice-presidente e um secretário Regional receberam, em conjunto 44,4% dos votos (15,5% +28,9%) contra 47,2% do “enfant terrible” Miguel Albuquerque.
De há muito tempo a esta parte que, na Madeira, existe a convicção de que não poderá haver um virar de página na vivencia democrática regional, sem uma prévia implosão no PSD regional.
Esse cenário parecia muito improvável, até à disputa interna em Novembro de 2012 entre Alberto João Jardim e Miguel Albuquerque, ganha pelo primeiro, por uma pequeníssima margem, mas que veio pôr à evidência que o modelo de governação jardinista tinha os seus dias contados.
E assim, em resposta à decisão do Líder regional em não se recandidatar às próximas eleições na Madeira, eis que surgem, seis, repito, seis candidaturas à liderança do Partido e de um novo Governo. Habituados que estamos ao contraditório de campanhas se cingir normalmente a duas candidaturas, eis que os madeirenses se viram confrontados com um repositório de propostas, de críticas ao poder, que mais parecia eleições gerais onde, a par das candidaturas mais arregimentadas (duas mais uma “inexistente” de Jaime Ramos, o eterno secretário-geral que obteve 0,8% dos votos) defendendo a “obra feita”, outras três se colocavam no “palco” fortemente críticas, mas com mensagens fortes e suficientemente maduras, para que, num futuro próximo, os eleitores madeirenses e não só os do PSD-Madeira, tenham de prestar a devida atenção.
É por isso (e não só por isso) que , Alberto João, no seu Jornal da Madeira, escrevia há poucos dias : “A tentativa de de destruir o PSD/Madeira por dentro, manobrou para encher o partido, capaz de tudo, dos que sem escrúpulos cospem no prato que lhes deu de comer… porque querem comer mais”
A esta provocação respondia Miguel Albuquerque no seu discurso de vitória “ainda relativa”: “os nossos militantes querem renovação dos protagonistas e políticas e um partido (…) ao serviço dos cidadãos, do bem público e do bem comum” e “os candidatos deram um exemplo de maturidade democrática na esclerosada estrutura monopolista do pensamento único vigente no PSD-Madeira nos últimos anos”.
Não há, de momento, eleições ganhas, mas Miguel Albuquerque não terá de fazer grandes esforços para sair vitorioso à segunda volta no próximo dia 29, sobretudo se aceitar negociar com um candidato relativamente próximo do seu projecto, Sérgio Marques, que obteve uma votação de 5,3% e que, quanto a mim, lhe poderia dar uma forte ajuda, tendo sobretudo em consideração as próximas eleições regionais.
Uma última palavra para o fenómeno “Jardim”: os dados estão lançados e Alberto João que, muito provavelmente quererá ainda publicitar “à sua maneira” o apoio ao seu “delfim” de há muito, Manuel António Correia, já perdeu o seu espaço e tempo. Corre o risco de lhe não ser reconhecido o que, apesar de tudo, fez pela Madeira e ser forçado a não reagir ao empurrão de saída pela porta “pequena” do protagonismo do poder regional.

Empresário madeirense

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