sexta-feira, 1 de maio de 2015

Perguntas e respostas sobre a greve na TAP






1. Porque querem os pilotos fazer greve?
Os pilotos exigem ter uma participação no capital da empresa, na sequência de um acordo assinado em 1999, e ainda diuturnidades (subsídios de antiguidade) suspensas desde 2011. Argumentam que a sua devolução ficou plasmada no acordo que o Governo assinou com nove sindicatos em dezembro de 2014 e que permitiu o cancelamento da greve de quatro dias entre o Natal e o ano novo. Mas o Executivo e a TAP negam que isto tenha sido acordado. A direção do Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC) garante que esta greve "não tem nada a ver com a privatização" em curso. "O SPAC não está contra a privatização da TAP", mas reconhece que a greve de dez dias terá "impacto na privatização", uma vez que estão em causa "acordos que definem e regulam as relações entre empregador e empregado".

2. Porque é os pilotos não se entendem?
Não se entendem com o Governo e a TAP, nem se entendem entre eles. O sindicato dos pilotos garante que 90% dos pilotos querem aderir à greve, afirmando que a TAP tem 985 pilotos, dos quais 786 são sindicalizados, e até entre esses "acreditamos que iremos ter uma adesão a rondar os 60%". Mas há pilotos "preocupados com a paralisação", contra o protesto e que vão voar durante a greve. Fernando Pinto, presidente da empresa, garante ter "a certeza de que teremos muitos pilotos que, sensibilizados pelo momento, irão pensar no cliente, no nosso passageiro, na empresa, e irão voar". Pelo menos 150 pilotos.

3. Quantos voos estão assegurados?
O Tribunal Arbitral decidiu que os serviços mínimos para a greve incluem a realização de voos para Açores, Madeira, Brasil, Angola, Moçambique e sete cidades europeias. No total dos dez dias, são 276 as ligações que a companhia irá operar em função destes serviços. Os restantes dependerão da adesão dos pilotos à greve. Para esta sexta-feira, a TAP estima poder vir a cancelar apenas 33 dos cerca de 300 voos diários que operaria. Mas "só quando os pilotos se apresentarem para voar é que conseguiremos definir que voos serão cancelados, começando pelos voos com menor número de passageiros", explicou ao Expresso fonte oficial da TAP. Como esta greve não tem o consenso de todos os trabalhadores, incluindo pilotos, a companhia mantém a expectativa de que a adesão não seja significativa.

4. A empresa está em risco?
Tudo indica que sim. Segundo as previsões da companhia, esta greve poderá ter um custo de €70 milhões, o que penaliza ainda mais uma tesouraria que já não é estável. A empresa precisa de capital para crescer, mas sobretudo para cumprir com as suas responsabilidades financeiras. Porque o grupo tem uma dívida de €1062 milhões, capitais negativos em €512 milhões e porque há receitas que estão retidas na Venezuela. Ou seja, a TAP precisa de capital para sobreviver. A Comissão Europeia não permite que o Estado injete dinheiro na companhia, a não ser que se avance com um processo de reestruturação. O Governo já veio alertar que uma paralisação de dez dias poderá ter um impacto maior no processo de reestruturação pelo qual a TAP terá de passar, podendo levar à saída de entre 30% a 40% dos trabalhadores. 

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