segunda-feira, 4 de maio de 2015

Últimos dias desportivos


Mayweather. Uma  vitória do catenaccio
Norte-americano vence pela 48.ª vez seguida num combate em que Pacquiao ataca com mais insistência


Primeiro é a roda, só depois a televisão. Há quem a tenha e rode os canais todos sem encontrar um ponto de interesse – Bruce Springsteen dá o mote em 1992 com aquele ‘57 Channels (And Nothin’ On)’. E há quem a tenha e queira ver tudo e mais alguma coisa. Isto da televisão tem o seu quê de curioso. A propósito das maratonas televisivas, queremos dizer.
Ele há o homem na lua em 1969, as primeiras eleições livres em 1975, a medalha de ouro de Carlos Lopes em 1984, a final da Taça Intercontinental em 1987, o GP Japão em 1990, a final da NBA em 1998 e um monte de acontecimentos ímpares. Imperdíveis. Arrebatadores. Como o deste domingo em Las Vegas, entre Mayweather e Pacquiao. É a luta do século. De boxe, acrescentamos. O combate fala-se há horas, dias, semanas, meses. Carradas deles. Movimenta-se dinheiro a rodos, publicita-se sem parar. É um frenesim. O pavilhão está cheio, a abarrotar. De gente comum e não só. As câmaras filmam energeticamente os mais famosos, como Magic Johnson e Michael Jordan. De repente, Sting. Respira-se bom ar. E dentro do ringue? Nada de nada, tudo vazio. Até a música começar a tocar. Está a dar o hino do México. Segue-se o das Filipinas para Pacquiao. E depois o dos EUA para Mayweather, cantado pelo actor Jamie Foxx. Tudo isto mais as apresentações individuais têm o tempo contado: 13 minutos-e-tal. À hora marcada, ting ting ting.

Manny toma a iniciativa e golpeia a cintura de Floyd (o nosso à-vontade é tal que já os tratamos pelos primeiro nome) e este responde com um gancho de direita. Esta táctica manter-se-ia pela noite toda. Manny é mais atrevido, Floyd é amicíssimo do catenaccio. Por largos períodos, o público toma a decisão de apoiar insistentemente Pac. Sobretudo no quarto assalto, quando o filipino encosta o rival às cordas. A resposta é exemplar. No assalto seguinte, Floyd vai lá à frente e responde à letra. Isto está animado. No sexto assalto, Manny dá uns socos e Floyd provoca com o baixar da guardar enquanto abana a cabeça como quem diz tranquilamente ‘isto não me doeu nada, nadinha’.
A coisa continua até ao 12.º assalto. Quando soa o gongo para o fim, ambos os pugilistas levantam o braço em tom de vitória. Será? Nãããããã, não pode. No fim, só um. Como os Imortais. Espera-se um pouco e sai o vencedor: o juiz Dave Moretti dá vitória de Floyd por 118-110 e os outros juízes Glenn Feldman e Bert Clements marcam 116-112, também a favor de Floyd. Nada a fazer, a vitória do norte-americana é unânime. Manny não se deixa ficar e critica a decisão: “Floyd não fez nada durante os 12 assaltos, ele só evitava os murros.”
Já sem luvas nem o corpo dobrado para a frente, Floyd defende-se. “O Manny é um dos maiores da história e hoje lutou de forma inteligente, o que foi uma agradável surpresa, mas não estou aqui para dar palpites nem dizer isto ou aquilo. Eu preferi lutar de forma inteligente para sair como vencedor e isso aconteceu.” E agora? Floyd corre atrás do recorde de Rocky Marciano: 49 vitórias em outros tantos combates. Só lhe falta um combate, portanto. E o fim da linha está projectado para Setembro de 2015. Quem é a próxima (e última) vítima? Há por aí candidatos? Eu não, obrigado.

Richard Gasquet. Não há uma sem três

Tenista francês sai finalmente do Estoril Open com o título. Bateu Kyrgios (6-3 e 6-2) em apenas 64 minutos.
Costuma-se dizer que não há duas sem três. Pois bem, no caso de Gasquet isso aplica-se às finais conseguidas em Portugal. Mas se falarmos de títulos, aqueles que constroem o palmarés dos grandes jogadores mundiais, o Estoril Open era uma espinha cravada na garganta do francês. Até ontem. Agora a máxima muda para “não há uma (vitória) sem três (tentativas)”. Gasquet conseguiu finalmente o título, depois das finais perdidas em 2007, com Djokovic, e 2012, com_Del Potro. Desta vez o francês assegurou-se que o encontro não lhe escaparia, arrasando Nick Kyrgios em apenas dois sets, com os parciais de 6-3 e 6-2.
A final durou apenas 64 minutos; pouco para o público, mas suficiente para o francês de 28 anos conquistar o seu 12.º título_ATP. Já o_australiano de 20 anos, um fenómeno de popularidade na sua primeira passagem por Portugal, acusou a pressão e nunca mostrou argumentos para discutir a vitória na sua primeira final no circuito mundial.
Gasquet e Kyrgios eram os únicos cabeças-de-série do torneio (5.º e 7.º, respectivamente) que tinham passado além dos quartos-de-final – todos os outros caíram nessa ronda ou antes. Ambos tinham disputado jogos longos nas meias-finais:_Kyrgios bateu Carreno Busta em 119 minutos, Gasquet afastou García-López em 136. Mas foi o experiente gaulês que apareceu em melhor condição no encontro decisivo, conseguindo impressionantes 94% de pontos ganhos no primeiro serviço.
Gasquet, 28.º do ranking mundial, estava sem competir há mais de um mês devido a uma lesão nas costas, e chegou ao Estoril Open com menos expectativas que em edições anteriores. Afinal acabou mesmo por ser o seu melhor ano nos courts portugueses. Gasquet já vencera um título em 2015 (Montpellier) mas o triunfo no Estoril é o seu primeiro em terra batida desde 2010 (Nice). Era apenas o que precisava para ser um dos melhores na história da prova. Apesar de haver vários tenistas com dois títulos, o francês é o único a conseguir igualar Tomas Muster com três presenças em finais (o austríaco venceu duas e perdeu uma). O_seu treinador, o espanhol Sergi Bruguera, também conhece a sensação de triunfar no_Estoril como jogador – vencedor em 1991 e finalista vencido no ano seguinte.
O triunfo na nova versão do Estoril Open significa 250 pontos para Gasquet, além do prize-money de 80 mil euros, que permitirão ao francês reentrar no top-25 mundial.

Hazard antecipa festa do quinto título do Chelsea

O Chelsea conquistou este domingo o seu quinto título de campeão inglês de futebol, terceiro sob o comando do treinador português José Mourinho, ao vencer em casa o Crystal Palace por 1-0, em encontro da 35.ª jornada.

O belga Eden Hazard, aos 45 minutos, na recarga a um penálti por si falhado, marcou o golo do ‘onze’ de Mourinho, que havia conquistado os outros dois títulos na primeira passagem pelo clube (2004/05 e 2005/06).
A três jornadas do fim, os londrinos, também campeões em 1954/55 e 2009/10, passaram a somar 83 pontos, contra 68 do Manchester United e 67 de Manchester City (menos um jogo) e Arsenal (menos dois jogos).

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