sábado, 9 de maio de 2015

Uma carta que ajudou a decidir as eleições


Público
Primeiro, o factor-surpresa. Por esta altura, muitas empresas de sondagens levam as mãos à cabeça para tentar perceber o que correu mal, ou melhor, o que correu muito mal nas eleições desta quinta-feira no Reino Unido. Durante semanas, o cenário apontado era o de uma disputa renhida entre conservadores e liberais. Ninguém descolava da margem de erro. E mesmo as sondagens à boca das urnas, reconhecendo a vitória de Cameron, continuavam a apontar para a necessidade de uma nova aliança com os Liberais-Democratas para se alcançar uma maioria. Claro que resta sempre a tese reconfortante para quem faz sondagens de que a antecipação de um cenário de ingovernabilidade por parte dos eleitores terá dado um impulso ao voto útil.
Entre os grandes derrotados, além das sondagens, também caíram com estrondo Ed Miliband, Nick Clegg e o próprio Nigel Farage, que, apesar de uma votação expressiva a nível nacional, nem sequer conseguiu ser primeiro no círculo eleitoral por onde concorria.
Os grandes vencedores foram a ascensão do nacionalismo escocês e, incontornavelmente, David Cameron. O discurso de tentar colar o Labour a Nicola Sturgeon e a mensagem de que foram os conservadores a resgatar a economia britânica deram frutos. Aliás, Cameron fez toda a campanha a mostrar uma carta que lhe foi deixada há cinco anos pelo anterior ministro das Finanças trabalhista a dizer simplesmente: “Não há dinheiro.” Liam Byrne, que foi ministro no Governo de Gordon Brown, já veio pedir desculpa ao partido. Ele sabe que a carta ajudou a decidir as eleições.
Cameron ganha as eleições e também ganha legitimidade e mandato para levar adiante o referendo que prometeu para 2017 sobre a permanência da região na União Europeia. Ele sabe que muito provavelmente o seu grande desafio para os próximos dois anos será fazer campanha pelo "sim", para que a economia britânica não volte a cair num buraco do qual ele se orgulha de a ter tirado.

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