domingo, 11 de outubro de 2015

A esquerda muralhada

Via Delito de Opinião


A indigitação do teólogo madeirense Edgar Silva - desconhecido da esmagadora maioria dos portugueses - como candidato presidencial do PCP só demonstra que o simulacro de estratégia "frentista" ensaiado pelos comunistas na frente parlamentar não é mais do que isso: um simulacro.
Reparem nos sinais: no preciso momento em que dialoga com o PS, para construir um alegado "entendimento à esquerda", o partido da foice e do martelo lança esta candidatura divisionista de um membro do seu Comité Central, destinada no essencial a roubar votos à de Sampaio da Nóvoa, o tal candidato "unitário" que António Costa andou a empurrar para o palco nos idos de Abril e parece condenado a uma derrota esmagadora no escrutínio de Janeiro.
A "unidade", para os comunistas, é um conceito meramente instrumental e sempre adiado para um amanhã que nunca chega. O PCP recusa concessões que possam beliscar-lhe a forte identidade construída ao longo de décadas: um arremedo de Frente Popular em Portugal ou se ergue num futuro impreciso sob a sua bandeira ou jamais se alcançará.
Fiéis a este desígnio, os comunistas preocupam-se sobretudo em preservar um espaço muralhado, impedindo a dispersão dos 400 mil eleitores que constituem o seu eleitorado fixo. Que a construção da "unidade de esquerda" termine antes de começar é para eles uma irrelevância.
Alguém se espanta? Este filme é exibido em sessões contínuas desde 1975.

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