sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Não a um Papa político

Graça Canto Moniz

Houve momentos na História recente em que os líderes da Igreja tiveram um papel fundamental no curso da Humanidade. Ninguém nega a importância de Eisenhower e Pio XII, ou Reagan e João Paulo II, no combate ao comunismo enquanto ameaça clara ao Cristianismo e ao mundo Livre.

A suprema ironia é termos hoje um Papa que escolheu como bandeiras políticas – não teológicas – algumas das que são erigidas por Obama e que têm na sua fundamentação o mesmo gene das doutrinas comunistas. Na encíclica pró-verde “Laudato Si” Francisco surge como o mais recente aliado da crença nas alterações climáticas e na necessidade de salvação do planeta. Há uma diferença significativa entre a defesa da Ecologia e uma instrumentalização do Apocalipse como forma de combate ao capitalismo. A Ecologia dignifica o homem, responsabiliza-o pela utilização dos recursos, e convida-o a salvaguardar o planeta em prol das gerações futuras; é obrigação do Homem colocar o seu engenho para encontrar as formas mais eficientes de utilizar os recursos do Planeta, fomentando o bem-estar de todos, os de hoje e os do amanhã. Já o eco-fanatismo parte de uma crença não comprovada cientificamente, combatendo o modelo económico que inspira o nosso modo de vida, como forma de evitar a Morte iminente do planeta.
O Papa Francisco escolheu para marcar a sua visita aos EUA toda uma série de causas políticas – emigração, clima, capitalismo, combate às desigualdades – que o colocam de um dos lados da barricada em matérias onde existem enormes clivagens ideológicas, afastando as atenções mediáticas dos temas de índole espiritual onde a Igreja precisa de dar repostas. O Papa tem as suas opiniões políticas; como Católica posso duvidar delas. Preferia ter de Francisco mais respostas espirituais, já que não me parece que um dueto Francisco/Obama consiga salvar o mundo do Apocalipse.

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