domingo, 8 de novembro de 2015

Eu não assinei esta petição

Via Algol Mínima
“Sendo Portugal constitucionalmente um estado laico, não se afigura legal que estejam envolvidos dinheiros públicos num projecto que prevê a construção de um complexo que integra um templo religioso. No entender dos signatários, tal situação configura um favorecimento do Islamismo (que, como se sabe, nem sequer é a religião da maioria dos portugueses) em relação às outras religiões.”


A petição é apoiada pelo PNR. Não a assinei e explico por quê.
A razão por que se pode estar contra a construção de uma nova mesquita em Lisboa não tem nada a ver com o “Estado laico”, porque a construção da nova mesquita não é financiada pelo Estado. Exactamente por que o Estado é laico, a mesquita pode ser construída com o financiamento de privados e da sociedade civil em geral — porque o Estado laico não se mete na vida das instituições da sociedade civil. Portanto, o argumento do “Estado laico” contra a construção da nova mesquita é um tiro no pé.
Existem dois tipos de razões objectivas por que se pode estar contra a construção da nova mesquita de Lisboa.
1/ uma mesquita não é um mero templo religioso.
Uma mesquita é um instrumento de acção política do Islamismo enquanto principio de ordem política. O Islamismo não é uma religião como as outras: é um princípio de ordem política. Uma mesquita afirma o território da soberania da ordem política islâmica quesubstitui o Estado de Direito pela Sharia.
2/ Portugal tem uma cultura e uma civilização próprias.
Independentemente de o Estado ser laico ou não, é um facto que Portugal tem uma cultura e uma tradição cristãs; e desde os seus primórdios, o Cristianismo separou o Estado, por um lado, da religião, por outro lado. Existe no Cristianismo primordial a ideia da separação do Estado e da religião — e por isso é que se tornou possível o Estado de Direito na Europa. Ora, esta ideia da separação do Estado e da religião não existe no Islamismo.
A construção de novas mesquitas em Portugal, para além da afirmação do território político islâmico que nega o Estado de Direito, é um atentado à cultura e tradição portuguesas.

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