quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Governos peculiares

 Luís Aguiar-Conraria no Observador

Mas se a legitimidade formal de um governo PS encostado ao BE+PCP não pode ser questionada, o mesmo não se passa com a legitimidade política. E, por muito que custe à esquerda, é fácil argumentar que este governo é politicamente ilegítimo. É verdade que em campanha António Costa deu vários sinais que revelavam disponibilidade para negociar à sua esquerda. Mas também é verdade que houve vários sinais contrários e que ninguém considerou que cenário verosímil. Aliás, vale a pena lembrar: o único partido que tinha no seu programa eleitoral uma união das esquerdas — o Livre — nem 50 000 votos teve. Manda a honestidade intelectual que se reconheça que é possível que muitos eleitores socialistas não gostem desta solução e que se esta negociação tivesse sido feita antes das eleições, muito provavelmente o PS teria tido ainda menos votos. Sendo assim, esta confluência à esquerda não passa de uma golpada pós-eleitoral

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