segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Suicídio colectivo da Europa

Via Mais Lusitânia 

A Europa é como um edifício cujas fundações têm vindo a ser minadas de forma sistemática e programática nas últimas décadas. A ideologia revolucionária que, de forma paciente, vem levando a cabo este trabalho não tem o apoio da maioria das populações mas avança praticamente sem oposição. Porquê?


A resposta de certo modo é simples: uma máquina de propaganda colossal que tem nos grandes media (televisões, música, cinema e imprensa) os seus veículos privilegiados e uma fórmula mágica para fazer avançar a sua agenda – o relativismo moral.

O relativismo moral corrói as bases morais de uma sociedade, a sua identidade e convicções, proporcionando condições favoráveis à revolução. Não é por acaso que «moral» significa tanto costumes e valores como força mental. Nenhuma civilização histórica se fundou sob a dúvida, a incerteza ou o cepticismo. Ninguém combate por coisa nenhuma. Quem não possua convicções e valores não tem força mental para suportar os desafios e até os sacrifícios que a vida apresenta e requer. Está sempre mais perto da desistência e do conformismo. O que é válido para um individuo é-o em maior grau para uma sociedade.

Nas nossas sociedades o radicalismo revolucionário dos anos 60 e 70 (tanto na Europa como nos Estados Unidos que fazem parte da mesma civilização Ocidental) não se impôs como norma moral porque existia ainda uma matriz conservadora forte. No entanto ele produziu o resultado desejado que era o de abalar os alicerces morais do Ocidente e questionar os seus valores, abrindo caminho ao relativismo moral.

 73% dos franceses tem uma visão negativa na presença islâmica na Europa. Na foto, oração colectiva de muçulmanos numa rua de Paris.


É também importante perceber que o relativismo moral não é o fim em si mesmo da mentalidade revolucionária. Ele é um meio para promover a «igualdade» dos valores mas o objectivo final é substituir os valores antigos pelos revolucionários. Só os ingénuos – e existem muitos, que se prestam ao papel de serem instrumentos da revolução – acreditam no relativismo moral. Um indivíduo teria que ser criado num laboratório esterilizado da vivência humana para poder ser moralmente asséptico, moralmente neutro.

O relativismo foi e continua a ser um instrumento que serve para tornar aceitáveis práticas aberrantes ou até moralmente hediondas como o aborto, introduzindo propositadamente a confusão e pervertendo a linguagem para criar um véu que oculta a realidade. O exemplo mais claro disso é o do aborto, uma morte espontânea ou forçada que os seus promotores apresentam como «direito das mulheres» ou até como parte dos «direitos reprodutivos das mulheres».

Na fase em que nos encontramos, o relativismo está em vias de ser ultrapassado e de dar lugar a um discurso abertamente anti-valores morais e religiosos (já dominante entre as elites «bem-pensantes», ou seja aquelas que têm acesso aos grandes media). Um exemplo claro disso é o que se passa com a homossexualidade. O objectivo é suprimir todo o discurso que não seja de apologia da homossexualidade e respectivas uniões, inclusivamente por via legislativa. Foi assim inventado o «crime» da «homofobia» que é tão simplesmente a instituição do delito de opinião. Os programas curriculares das escolas estão já a endoutrinar as crianças e em breve as Igrejas serão forçadas a ministrar o matrimónio a pessoas do mesmo sexo sob pena de ilegalização.

No entanto, está ainda por determinar qual será o ponto de chegada desta senda revolucionária porque o assalto aos valores europeus conhece nos nossos dias uma nova frente que é a da ameaça da religião de Maomé. Esta prescreve a conversão forçada ou exploração económica dos não-muçulmanos e a aplicação universal da sharia ou lei islâmica, que entre outras provisões estende as normas sobre blasfémia aos não-crentes em Maomé.

Ora o mais curioso e intrigante nos nossos dias é que a esquerda europeia e norte-americana, que tanto combate os valores da religião cristã, seja hoje a grande defensora do Islão. As grandes estrelas de Hollywood e as figuras mais progressistas da esquerda ocidental surgem hoje com um discurso de defesa do Islão bem preparado, ainda que assente em argumentos ingénuos ou dissimulados e factos enumerados de forma parcial e selectiva. A conclusão que desejam popularizar é a de que o problema não reside na religião mas na interpretação extremista da mesma. É de facto uma posição tanto mais desconcertante quanto hoje todos sabem o que se passa na Arábia Saudita, país fundador, guardião dos lugares santos e da doutrina do Islão, e no Irão, país bastião dos xiitas, assim como no Paquistão, país fundado para acolher os muçulmanos da Índia, ou tantos outros. Não se percebe pois onde existe esse Islão moderado que os apologistas proclamam.

Por outro lado, o Islão militante é bem visível e já chegou à Europa e aos Estados Unidos, com atentados, ameaças de morte e ataques impiedosos aos alegados blasfemos ou simples infiéis. Sob a pressão e ameaça do Islão militante, o Ocidente já aceitou a auto-censura, capitulando naquilo que alegadamente seria um valor sacrossanto das sociedades democráticas: a liberdade de expressão. A Europa capitula igualmente na sua soberania, ao abdicar do controlo das suas fronteiras.

Sendo impossível determinar quais as intenções finais da esquerda revolucionária, entre a qual as evidências nos forçam a incluir Angela Merkel e François Holande (que continuam a promover o fluxo descontrolado de muçulmanos para a Europa, ao mesmo tempo que permitem que os cristãos, «esquecidos e traídos»[1], sejam perseguidos e assassinados no Médio Oriente), nem por isso deixamos de ver com clareza as consequências da sua acção: a destruição da cultura e das bases morais da civilização Ocidental. A esquerda está objectivamente a destruir todos os valores tradicionais da Europa ao mesmo tempo que promove o expansionismo islâmico. As incongruências são óbvias mas as consequências são imprevisíveis.

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