segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Nove dados das eleições em que talvez não tenha reparado

Observador


Os vencedores, já se sabe, foram Marcelo Rebelo de Sousa, e também Marisa Matias, que somou mais votos do que Fernando Rosas e Francisco Louça juntos. Os vencidos foram Maria de Belém, o PS que saiu um bocadinho mais partido, mas sobretudo Edgar Silva e o PCP que mais uma vez acabou atrás do Bloco de Esquerda. Tino de Rans foi o candidato sensação. No rescaldo das eleições presidenciais de domingo à noite, contudo, há dados curiosos que podem ter escapado a uma primeira análise. Vamos a eles.
O poder absoluto de Marcelo: 92% na freguesia de Rego
Marcelo Rebelo de Sousa ganhou em todos os distritos, pintando o país de cor de laranja. Em quase todos os 308 concelhos de Portugal, Marcelo reinou, deixando apenas 15 para o segundo classificado, Sampaio da Nóvoa, e um para Edgar Silva – quase todos no Alentejo e Setúbal. Em Celorico de Basto, terra de Marcelo, a maioria foi absolutíssima, conseguindo um total de 81,90% dos votos. Numa das freguesias de Celorico, em Rego, chegou mesmo aos 92,05%.

Em Beja a disputa foi mais renhida, com Marcelo a acabar com 31,71% em todo o distrito, e Sampaio da Nóvoa a pisar-lhe os calcanhares, acabando com 31,47%. No concelho de Aljustrel foi mesmo onde o ex-líder do PSD teve a sua pior prestação: 19,97%, atrás de Edgar Silva, que teve 24,20%, e de Nóvoa que ficou na frente com 38,24%. 

2. Melhor votação de Maria de Belém foi no distrito de Seguro
Maria de Belém foi a maior derrotada da noite, mas se olharmos para as percentagens de votos obtidos pela ex-ministra socialista em todo o país rapidamente percebemos que onde teve o seu melhor resultado (5,2%) foi no distrito de Castelo Branco, de onde António José Seguro é natural. No concelho de Penamacor, o concelho de Seguro, Maria de Belém teve 8,2% dos votos, só superado pelo concelho vizinho de Idanha-a-Nova, onde conseguiu 8,9%.
De seguida, aparecem os distritos de Bragança (4,6%) e Beja (5,1%), onde os presidentes das federações do PS são da ala segurista. 

3. Nóvoa teve mais votos do que Alegre em 2011
Em 2011, Manuel Alegre era o candidato apoiado formalmente pelo PS, em 2016 Nóvoa não tinha o apoio oficial do PS, apesar de ter quase todo o partido por detrás da máquina da campanha. Mas se há cinco anos Alegre conseguiu um total de 832.422 votos (19,8% dos votos), este ano Sampaio da Nóvoa conseguiu convencer 1.060.800 pessoas. 

4. Edgar Silva aquém de… José Manuel Coelho
Madeirense vs. Madeirense. Em 2011, o “Tiririca da Madeira” José Manuel Coelho era o candidato anti-sistema e conseguiu um total de 189.052 votos em todo o território nacional. Este ano, quem ficou mais próximo dessa meta foi o candidato apoiado pelo PCP, Edgar Silva, que ficou até aquém do resultado obtido: conseguindo apenas 182.906 votos. 

5. Tino é rei em Rans, príncipe no concelho de Penafiel. E o herói do Porto
Tino de Rans foi a sensação das eleições e os números provam-no. Pelo menos quando jogou em casa. Na freguesia de Rans foi rei, monopolizando 60,93% dos votos (616 votos), o que o levou a telefonar a Marcelo na noite eleitoral a congratular o recém-eleito Presidente por ter sido o segundo eleito naquela freguesia. “O povo gosta de si”, disse-lhe.
No concelho de Penafiel, no todo, Vitorino Silva ficou mesmo em segundo lugar, atrás de Marcelo, conseguindo um total de 8.212 votos. E no distrito do Porto, a refletir estes bons resultados, o calceteiro ficou no honroso quarto lugar, com um total de 47.398 votos.

6. Paulo de Morais à conquista do Algarve
A melhor prestação de Paulo de Morais, o candidato que fez da luta contra a corrupção a sua bandeira, teve a sua melhor prestação no Algarve. Em Faro, conseguiu arrecadar 4.767 votos, sendo que em Portimão conseguiu a sua melhor percentagem: 4,08%. 

7. Marcelo ganha mais no Açores socialista do que na Madeira social-democrata
Edgar Silva pode ter sido um dos vencidos das eleições, mas na Madeira, de onde é natural, notou-se a sua influência. Ficou em segundo lugar, com 19,7% dos votos, tirando pontos a Marcelo Rebelo de Sousa, que teve 51,35% dos votos no arquipélago que é cor-de-laranja há longas décadas.
Melhor resultado teve nos Açores que é, como se sabe, território socialista. Aí Marcelo conseguiu 58,07% dos votos. 

8. Lisboa mais marcelista do que cavaquista
Não é que se possa dizer que Marcelo conquistou mais o eleitorado urbano do que Cavaco em 2011, porque o que se verificou em Lisboa e em Setúbal não se verificou na zona do grande Porto. Certo é que, em Lisboa, Marcelo conseguiu um total de 496.372 votos, quando há cinco anos Cavaco tinha conseguido o voto de 411.341 pessoas. 

9. Um país diferente acima e abaixo do Tejo
Sampaio da Nóvoa só liderou em 15 concelhos, e todos abaixo do Tejo, entre Setúbal e o Alentejo: Castro Verde, Aljustrel, Grândola, Ferreira do Alentejo, Mértola, Alandroal, Moura, Alcácer do Sal, Cuba, Viana do Alentejo, Campo Maior, Gavião, Barreiro, Moita e Setúbal.
Edgar Silva venceu em Avis, distrito de Portalegre, com 31,3% dos votos, seguindo-se Nóvoa com 27,13% e deixando Marcelo na terceira posição (26,58%). De resto, todo o norte, centro e litoral do país foi dominado pelo candidato da direita.

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