quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

O "cérebro" do Nápoles!...


Via Show de Bola

O treinador napolitano de 57 anos, Maurizio Sarri, é o homem que "orquestrou" o que não se via desde os tempos de Diego Armando Maradona, um Nápoles a lutar pelo título em Itália!
E o Nápoles não se limita a obter bons resultados, pratica bom futebol.
Mas quem é Maurizio Sarri?
Trata-se de um ex-futebolista amador, que adora futebol e que teve uma carreira de sucesso como executivo bancário.
Sarri deixou essa carreira de sucesso e bem remunerada há 15 anos atrás, para ir treinar um clube dos escalões secundários.
Era o seu "emprego de sonho".
Chegou à Série A com Empoli, quando tinha 55 anos de idade...
Dois anos depois, está no Nápoles.
Trata-se de um homem com uma personalidade fortíssima, intelectualmente muito acima da média, um fumador compulsivo, que adora literatura e que é um trabalhador incansável e meticuloso!!
Mas ele não gosta de "rótulos"....
Eis Sarri em discurso directo:
"O que é que me irrita?
Mauricio Sarri

As etiquetas: o ex-empregado da banca, o fulano que fuma demasiado, o fulano que ensaiou 33 bolas paradas...
Que cambada de idiotas!
Uma pessoa é sempre mais do que se vê superficialmente.
Mas tenho de admitir que fumo demasiado.
Nem te conto...
No banco de suplentes, é proíbido fumar.
Quando estava no Empoli, não existiam barreiras para contactares com os adeptos.
E o meu vício é tremendo.
Ao ponto...que não resisto muito tempo!
Algumas vezes, com o jogo a decorrer, ia até aos adeptos e pedia para dar uma passa num cigarro.
E dava mesmo umas passas!!
Tentava não ser caçado....
Também, é verdade que sou um ex-empregado da banca.
Trabalhei nas transacções do Montepaschi, em transacções com grandes instituições.
Trabalhei em Londres, na Alemanha, na Suíça e no Luxemburgo.
Mas escolhi o único trabalho, que faria de forma grátis: ser treinador de futebol.
Joguei futebol, e toda a minha vida treinei, mesmo quando trabalhava para a banca.
Agora, chamam-me o "ex-empregado da banca".
Como se fosse algo de mau, ter feito outro trabalho na vida.
Como se fosse algo de mau, saber mais na vida, do que apenas de futebol...
A minha experiência na banca, é uma mais-valia para mim!
Ensinou-me a importância da organização e de saber tomar decisões importantes, sob pressão.
Os 33 livres directos?
Se é verdade, não me recordo.
Como treinador profissional, nunca fiz nada assim.
Se és treinador, tens de conhecer a equipa adversária e como fazer-lhe dano.
No Empoli, treinávamos 4 ou 5 livres em função do adversário
O sucesso dá muito trabalho e planeamento..
Cheguei à Série A, depois de muitos anos nos escalões secundários!
Por mérito próprio, e devido a todas as direcções que acreditaram em mim.
Mas sinto falta da pureza dos escalões secundários, quando os meios de comunicação não me davam toda esta atenção mediática. (...)
A essência da democracia no futebol profissional, está na forma como os direitos televisivos são distribuídos.
Essa é a essência da competição.
Aí é que ficas a saber qual é o teu futebol e em que país é que vives.
Em Itália, esses direitos televisivos pesam demasiado.
Depois, se ligas a televisão, estão sempre a falar os mesmos e dos mesmos clubes.
Quando ligo a televisão, e vejo a mesma coisa de sempre, os mesmos de sempre, falando da mesma coisa, fico com a certeza absoluta que vivo num país do terceiro mundo!
E se ainda tivesse dúvidas, basta ver a pressão mediática que há sobre os árbitros...
É uma pressão demasiado forte.
Eu acredito na boa fé dos árbitros, mas é humano ser-se condicionado.
Nos países civilizados, a irritação com uma má arbitragem, termina dez minutos depois da partida.
E era assim que devíamos ser. (...)
Tenho uma grande paixão por literatura e adoro ler.
A minha grande paixão, é Charles Bukowski.
Graças a ele descobri, John Fante.
E, infelizmente, o Mario Vargas Llosa chegou à minha vida com algum atraso.
Às vezes, uso as frases deles para motivar os meus futebolistas.
Não trato os futebolistas, como gente sem capacidade intelectual. (...)
O que faz um bom treinador?
A personalidade, a facilidade de comunicação e o conhecimento.
E é o conhecimento, que torna as primeiras duas qualidades credíveis.
E eu estudo futebol e penso em futebol, durante 13 horas por dia.".
É este o "general", dos homens que estão a tentar lutar com a "toda poderosa" Juventus...

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