quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

"O terceiro homem é impossível de defender

Via Show de bola 

"O terceiro homem é impossível de defender"...
Esta frase, é uma das bases da escola holandesa, do sucesso do FC Barcelona e do que Xavi Hernández praticou durante uma carreira inteira num campo de futebol.
No dia em que o "maestro" completa 36 anos de idade, aqui fica como funciona o seu credo futebolístico:
"Tens duas opções dentro do campo: tocas na bola e ficas quieto, ou tocas na bola e moves-te.
O terceiro homem é impossível de defender, impossível...
Vou tentar explicar-te o que isto significa.
Imagina o Piqué querendo jogar comigo, mas eu estou marcado e tenho um fulano pesado em cima de mim.
Bem, está mais do que claro que o Piqué não me pode passar a bola.
Evidentemente, eu afasto-me e levo o meu marcador comigo.
Então, o Messi baixa no terreno de jogo e passa a ser o segundo homem.
O Piqué é o primeiro homem, o Messi o segundo, e eu sou o terceiro.
Tenho de estar na minha posição e atento ao que se passa.
O Piqué joga com o segundo homem, Messi, que lhe devolve a bola, e nesse momento...eu apareço!
Deixo pregado no relvado o meu marcador, porque ele despistou-se e o Piqué passa-me a bola.
Como é que eu apareço totalmente desmarcado?
Porque o meu marcador vai quase sempre olhar para a bola, mas eu sei o que está acontecendo e o que vai acontecer.
E ele não (risos)...
Já conseguimos a superioridade!
Isto é indefensável, é a escola holandesa, é Cruyff.
É uma evolução dos triângulos holandeses.
O terceiro homem, é o homem livre.
Este é o homem que procura uma nova superioridade.
Por mais que te digam, que o futebol é jogado por 11 jogadores contra outros 11 jogadores, não é bem assim...
São onze para cada lado, mas na realidade, se tu souberes o que estás fazendo, podes passar a maior parte do tempo em superioridade numérica num jogo de futebol.
Há momentos no jogo, em que buscamos essa superioridade a partir do Victor Valdés e isso ainda tem mais mérito.
Já deves ter visto...
Às vezes, os rivais pressionam tão alto e tão intensamente, que fazemos o 3 para 2, mesmo dentro da grande área e com o Victor (Valdés).
E isso ainda tem mais mérito.
Fazemos com o Victor, o Piqué, o Busi (Busquets) ou comigo.
As pessoas pensam que é arriscado, mas não é...
Sabemos o que estamos fazendo, porque treinamos isso até ao limite e já saímos jogando em superioridade numérica.
Não podia ser mais seguro. Buscar o homem livre...
Tens de arranjar várias formas de conseguires ter este homem.
Por exemplo, quando os centrais têm a bola, um deles tem de ficar sempre livre, porque assim tens sempre um defesa a mais do que os avançados contrários.
Neste caso, o Puyol sobe, sobe, sobe, até que aparece um jogador contrário.
Se o homem que tenta travá-lo, era o meu marcador, então, o homem livre passo a ser eu.
Se é o marcador do Iniesta, então, o Andrés é o homem livre.
Podemos ir buscando a superioridade numérica assim, em qualquer zona do terreno!
Em qualquer...
Fazes o três para dois, ganhas espaço e já tens um homem livre.
Avançamos no terreno e avançamos posições.
Comecei por te falar, no tocar na bola e ficar quieto.
Em todas as escolas de futebol, em todos os clubes, os treinadores ensinam às crianças uma ideia básica:"tocas na bola e moves-te.".
É um conceito tradicional e que existe em todo o lado.
Pois, no Barcelona, ensinam-te isso e o oposto!
Às vezes, tens de tocar na bola e ficar parado.
Porquê?
Bem, hoje em dia no futebol, o movimento é constante, porque toda a gente está muito bem fisicamente e a intensidade é muito alta.
Se eu passo a bola e fico parado, e tu me marcas, então não tens saída.
Tens de ficar parado...
E posso estar libertando outro colega da tua marcação.
Outro homem livre...
Às vezes, tocas e sais...Às vezes, tocas e ficas parado...
Um pouco complicado, não é (risos)?
Tudo depende do que está acontecendo à tua volta, do posicionamento dos teus colegas e dos teus adversários.
Isto é tão complicado, que cada jovem que chega ao FC Barcelona, leva pelo menos quatro meses a adaptar-se a isto.
No mínimo...quatro meses!!
Por isso, a qualidade técnica e a rapidez de raciocínio é o mais importante aqui.
Se não és inteligente, não podes jogar no Barça (risos)!
Acho que isso já diz tudo...
Porque, às vezes tens de fazer uma coisa, e logo a seguir, tens de fazer o oposto.
Tens de saber...".

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