sexta-feira, 18 de março de 2016

A crise da imprensa escrita

O Insurgente

The Simple Things, magazine Carto, Conflits, Standpoint, The Oldie, The Good Life e, desde Dezembro, a 1843, um relançamento do Intelligent Life da Economist. O que é que todas estas revistas têm em comum? São mensais, bimestrais ou trimestrais.

Há muito tempo que tenho vindo a dizer que os jornais diários em papel têm os dias contados. A informação diária corre demasiado depressa para que haja tempo para o velho hábito de comprar o jornal na banca e lê-lo calmamente. Aconteceu o mesmo com os vespertinos, quando acabaram a Capital, o Diário Popular e o Diário de Lisboa.

Vem isto a propósito do fim da edição em papel do Diário Económico. O futuro da imprensa escrita (em papel) está nas publicações com pouca periodocidade, sejam temáticas, como a Conflits ou a Carto, ou abarquem um leque muito variado de assuntos e temas, como a Oldie, a Stanpoint e a Good Life. Essencialmente são revistas para quem gosta de ler; de ler ideias novas, conhecer tendências e estar profudamente a par do que se passa por esse mundo fora.
Em Portugal continuamos à espera que se aposte neste novo mercado.

2 comentários:

Afonso de Portugal disse...

Ahahahah! Como se o André Abrantes Amaral, sendo escriba d'O Detergente, não soubesse perfeitamente quais são os verdadeiros motivos pelos quais cada vez menos pessoas compram jornais e revistas! Não é apenas uma questão de velocidade de informação, mas sobretudo:

1. A maioria das pessoas apenas se interessa pela notícia em termos genéricos, não querendo saber dos detalhes e dispensando por isso os textos extensos. Podendo ver o resumo de uma notícia na versão online do jornal, a esmagadora maioria dispensará a versão em papel. Eu estou convencido que é isto que explica, em grande parte, o facto de o CM ser o maior jornal nacional, embora as nossas "elites bem-pensantes" estejam convencidas que é uma expressão da incultura do povo português.

2. Os jornais e revistas são cada vez mais caros sem que o seu conteúdo tenha melhorado de todo. Antes pelo contrário, são cada vez mais mal escritos e cada vez mais presos a linhas editorais rígidas e por vezes caricaturalmente ideológicas.

3. Há montes de alternativas na internet e na televisão. Hoje em dia, há blocos de informação para todos os gostos e em todas as especialidades informativas (economia, política, educação, etc.)

4. O mais importante de tudo, pelo menos para mim, é a possibilidade de ouvir várias versões da mesma história. Os jornais e as revistas contam todos a mesma, quando nos contam a história de todo. É precisamente por isso que eu deixei de comprar jornais. E digo, muito sinceramente, que se alguns deles (Al-Público, Visão, Expresso) fossem à falência, eu não lamentaria em absoluto.

A-24 disse...

É natural que ele sabe e até foca mais os casos do fim de publicações estrangeiras do que nacionais.

Concordo com todos os pontos que acima referes e adianto-te que só compro uma publicação, o Courrier Internacional, que como sabes é uma tradução do que de "melhor" a imprensa internacional escreve sobre a actualidade. É verdade que a meio daquilo há muito artigo do Guardian e outros meios que não são exemplo para ninguém mas no geral é uma excelente publicação, até porque os media internacionais têm uma forma diferente de abordar os temas.

Existe também um ponto importante a referir que é o principal culpado da crise na imprensa em papel. Ela não consegue acompanhar as novas tecnologias, que um ou dois minutos após um evento já estão a replicar para a "rede" e a se difundir de uma maneira que o papel nunca faria. Um exemplo disso foram estes atentados em Bruxelas que ocorreram ontem de manhã. Só hoje as capas dos jornais replicavam as cores e as fotos da tragédia. A essa hora já toda a gente sabia e estava mais que informada sobre tudo o que aconteceu lá. A imprensa em papel tem os dias contados até porque é cada vez mais desnecessária nos dias de hoje e até por questões ambientais por forma a poupar recursos.