segunda-feira, 21 de março de 2016

O futebol e o nacionalismo

A24: Este post é do blogue Visão de Mercado e representa na essência o relativismo moral e cultural do futebol nos dias de hoje. Sou um amante do desporto rei, mas fico revoltado com estes esquemas que a comunicação social gosta de dar eco. Abaixo segue o que a França perde, por ter nos jogadores mencionados, todos nascidos em França, optarem por jogar pelos países deviso ás seguintes razões:
a) de onde têm mais laços culturais, étnicos e/ou religiosos, b) onde têm mais possibilidades de jogar, c) de onde a família é oriunda.  
Eu nada tenho contra isto, bem pelo contrário, julgo que não é por nascer num determinado país, que se deva jogar por essa seleção. É preciso sim sentir o país, o povo, a cultura, a língua e fico muito satisfeito que o Anthony Lopes seja nosso guarda-redes suplente e o Adrien Silva seja nosso titular na defesa/meio-campo. Têm tudo a ver com Portugal, tal como também fico feliz que o Koulibaly jogue pelos Camarões, e o Aubemayang, um jogador fenomenal actue pelo Ghana, ao contrário do outro Ganês Boateng, que joga pela Alemanha. Ao menos estes não traem a sua estirpe nem os seus valores. Fico também feliz pelo Brahimi, jogador que nos últimos meses tem desiludido no Porto, jogar pela Argélia pois ele é um argelino nascido em Paris, nada mais que isso. Que sentido faria o Higuain jogar pela França se a família dele é oriunda da Argentina, só pelo simples facto dele ter nascido em França? Entendo que os clubes deixaram de representar e os seus lugares e as suas pessoas como o faziam há 50 ou 60 anos, os clubes são empresas e devem comprar e vender jogadores estrangeiros, para obterem melhores resultados e lucros em vendas, agora as seleções deveriam ser diferentes e não se "venderem" a qualquer caramelo que lá por ter nascido no país já deveria poder representar a seleção ou de outros que nasceram no estrangeiro mas que usam o titulo/lamento "colonial" para justificar que lhes interessa ter o direito de jogar por seleções europeias, simplesmente porque indo jogar na CAN ou para a Copa America atrapalha os calendários dos clubes que lhes pagam. Isso é que é conspurcar o futebol e o sentimento nacional, não admirando assim, que seja na ala nacionalista onde mais se rie, critique e se lamente a presença de certos indivíduos que representam a seleção francesa e também a portuguesa, a belga ou a holandesa, pois são os piores exemplos na Europa, já que é dificil se rever em alguns desses espécimes que nem a língua de Camões dominam ou sequer a falam em casa. Esperemos que no futuro este regabofe das nacionalidades venha a acabar para recolocar a verdade no futebol, mas isso não deverá acontecer pois interessa à Nova Ordem Mundial que as seleções europeias continuem a ter jogadores de todas as raças, línguas, religiões e culturas por forma a relativizar o sentimento nacional, enfranquecendo-o naturalmente.



"A França apresenta um dos melhores elencos do Mundo e é uma das principais favoritas a vencer o Europeu, mesmo assim podia ser ainda mais forte. Neste sentido, e por o talentoso Boufal ter optado por Marrocos em detrimento dos gauleses, o L'Equipe decidiu fazer um 11 com jogadores nascidos em França que optaram por representar outras seleções. Na baliza está um português, Anthony Lopes, nascido em Givors, mas internacional por Portugal. Já o meio campo apresenta Adrien Silva, que nasceu em Angoulême, a 120 quilómetros de Bordéus, mas decidiu representar as cores de Portugal, contando já com cinco internacionalizações. Na lista consta ainda o avançado do FC Porto, Brahimi, nascido em Paris, mas que optou por representar a Argélia. Mandi, Koulibaly, Benatia, Ghoulam, Mahrez, Ayew, Aubameyang e Higuain completam o 11. A publicação gaulesa apresenta ainda mais um leque de opções, dentro da mesma lógica, onde surgem nomes conhecidos dos adeptos portugueses como Raphael Guerreiro (Lorient) ou Moussa Marega (FC Porto), internacional pelo Mali."

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