domingo, 10 de abril de 2016

17 sinais de que já estás nos trintas

A24: Para descomprimir. Todos os trintões entenderão :)

Por falar noutra coisa
Hoje faço 32 anos. Sei que ninguém me dá mais de 31, mas é mesmo verdade. Somar um à idade não é algo agradável quando já se passou os trinta. É lembrarmo-nos que o melhor terço da vida já passou, e estou a ser optimista porque não cuido de mim o suficiente para chegar aos 90. Para além dos cabelos que caem se transformarem em gramas de gordura na barriga, são vários os sinais que nos fazem lembrar que já somos trintões ou trintonas:


É perceber que se fossemos futebolistas já estaríamos em final de carreira, mas assim ainda temos de trabalhar mais uns trinta anos.

É ter a famosa ressaca que dura dois dias. Aliás, é começarmos a sofrer por antecipação enquanto estamos numa noite de sábado a beber e a pensar que se calhar é melhor parar porque temos de trabalhar na segunda e mesmo que durmamos domingo inteiro é capaz de não chegar para desaparecer a moinha da cabeça.

É levar uma bolsa de medicamentos para várias maleitas sempre que se vai de férias. Transformamos a nossa bolsa da higiene pessoal num estojo de primeiros socorros com um termómetro, medicamentos para as dores de cabeça, dores de garganta, constipação, diarreia, prisão de ventre, e para a azia. Estar nos trinta é beber muita água com gás e tomar remédios para azia.


É só apanhar moedas do chão se forem mais de vinte cêntimos. As outras não compensam o esforço.

É ter dores no corpo só porque sim: «Olha, hoje dói-me um pulso, está giro. Não me lembro de ter dado nenhum jeito.»; «Olha, hoje doem-me as costas e aqui um músculo que nem sabia que existia!» e depois lembramo-nos que é no mesmo sítio em que daquela vez no recreio da escola primária demos com a bacia num lance escadas. Aos 30, as lesões antigas começam a querer reatar laços para serem nossas amigas até que a morte nos separe.

É ver o mural do Facebook cheio de bebés dos nossos amigos e ex-colegas da escola, a maioria feios mas com comentários a dizer «Que lindo! É a cara do pai!». A segunda parte às vezes é verdade. Como andei nas escolas da Buraca e da Damaia, o meu caso é menos grave porque a maioria dos meus ex-colegas está na prisão.

É pesquisar esses ex-colegas e perceber que a maioria, claramente, já desistiu da vida. Sobe-nos sempre o ego, especialmente quando vemos que os outrora populares são os que estão piores e mais acabados que um aborto feito num vão de escada em Alfornelos.

É irmos a discotecas como o Jamaica e o Plateau só para nos sentirmos novos porque no Urban e no Main parecemos os pais que foram buscar os filhos à escola e parece mal mamar da boca em pessoas que ainda há pouco tempo tinham dentes de leite.

É ter quarentonas e cinquentonas a olhar para nós, já não como os filhos que gostariam de ter, mas como o rapaz que limpa a piscina e já agora dá um jeitinho no resto das zonas molhadas lá de casa.

É olharmos para raparigas de 18 anos e acharmos que sim senhor e depois sentirmo-nos velhos rebarbados, mas saber que quando tivermos 60 vai ser igual.

É sentir uma facada no peito quando alguém de vinte e poucos anos nos trata por você ou, valha-nos Deus, «senhor».

É começar a achar que a juventude está perdida. Que não há respeito pelos mais velhos e que não sabem o que custa a vida porque agora é tudo com apps e tecnologia. É achar que quem diz SWAG e YOLO e ouve Justin Bieber e D.A.M.A. devia levar com uma Bimby na moleirinha. Sim, porque ter trinta é começar a achar que se calhar uma Bimby até vale aquele dinheiro todo só porque faz sopas muito boas. Sim, ter trinta é, também, começar a comer sopa, especialmente no inverno que é para aquecer.

É ter de responder àquela pergunta «Então e filhos?» em todas as festas de família e olharem para nós como se fossemos belzebu em pessoa quando dizemos que se calhar não vamos ter filhos, mas estamos a pensar em adoptar um cão. As tias velhas até se benzem.

É ser convidado para uma festa de aniversário, chegar lá e estar a família toda do aniversariante com filhos e primos incluídos. Há aquela impacto de «Oh que caral... então agora não posso enfrascar-me!», mas depois até nos sentimos bem quando vamos para casa sem estarmos bêbedos por saber que vamos acordar sem ressaca de dois dias.

É começar a pensar que certas coisas até têm algum apelo como por exemplo: cruzeiros, planos poupança e reforma, jogging, e levantar cedo ao sábado para aproveitar o dia. Ao domingo também, mas é para limpar a casa.

É o digestivo de eleição deixar de ser uma cerveja ou um shot de absinto e passar a ser chá de cidreira.

É ter jantares com amigos em que os temas de conversa são doenças, taxas de juro e móveis do IKEA. Vai-se alternando esses temas com histórias passadas que incluem sempre estas frases:
- Isso já foi há dez anos! - diz um.
- Dez? Foi há 15! - diz outro.
- Txiii, pois foi… estamos velhos.
- Pois estamos.

Como prenda de aniversário à minha pessoa, agora vocês partilham este texto. Ah, e se por acaso me virem amanhã na noite, embriagado, por favor digam-me «Tem cuidado, olha a ressaca! Já tens 32!» que eu às vezes esqueço-me.

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