sábado, 23 de abril de 2016

Não será o Brasil de hoje um grande espelho do Portugal de amanhã?

José Milhazes
Caros amigos, deixai arrefecer as emoções e olhai para o Brasil com a cabeça fria. Esse país é a imagem de Portugal dentro de alguns anos se o regime político continuar a apodrecer a alta velocidade no nosso país. No Brasil, tal como já em Portugal, é inútil falar de esquerda e direita, em corrupção de direita e honestidade de esquerda. Isso são histórias da Carochinha.

Espero que os meus irmãos e amigos brasileiros saibam limpar o seu país da corrupção, da politiquice, da palhaçada em que foi transformada a democracia, mas sem recorrer à violência. As armas não resolvem problemas, apenas os complicam. Não me esqueço que, em Outubro de 1993, quando o Presidente russo Boris Ieltsin resolveu a tiro de canhão o seu diferendo com o Parlamento, sob os aplausos das democracias ocidentais, ele contribuiu para esmagar à nascença os rebentos da democracia no país. E todos conhecemos o resultado: hoje a Rússia é dirigida por um bando de políticos que não são menos corruptos do que os brasileiros, mas sentem-se mais seguros porque esmagaram a oposição.
Não há Sebastião que valha a russos, brasileiros e portugueses, etc. Por isso saibamos tirar as devidas lições da crise brasileira, não deixemos que em Portugal as coisas cheguem ao ponto em que chegaram no Brasil. Preocupemo-nos menos com cartões de cidadonas e propostas afins e olhemos, por exemplo, para o estado da justiça no nosso país. Não há dia que passe sem notícias de detenções e de abertura de mega-processos, mas quais as consequências?
E deixo aqui uma mensagem para os corruptos: "a ganância é a perdição do ladrão" (provérbio russo).

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