sábado, 30 de abril de 2016

O Presidente-avô

Vítor Cunha 


Portugal deixou de ter um Presidente da República; agora tem um senhor, muito simpático,que anda de um lado para o outro a visitar tasqueiros e maquinistas de automotoras que transportam vinte passageiros, dezessete dos quais da sua comitiva. É um senhor que lamenta ter pouco tempo para os netos, para ler algo que não as fantochadas que o governo envia e para ir ao mar, um dos clusters estratégicos nacionais. É o primeiro Presidente que optou por ser avôzinho de todos os portugueses, em vez do tradicional paizinho. Como qualquer avô, vai encher-nos de guloseimas, deixar que façamos coisas que os pais não querem que façamos e permitir que pintemos a parede da sala com lápis de cera, escrevendo os rabiscos típicos de uma infância sem austeridade.
O problema é que, no fim do dia, a criança volta a casa dos pais.

Sem comentários: