segunda-feira, 13 de junho de 2016

A Esquerda contra a pobreza

Orlando Braga
O PIB per capita português triplicou desde 1974, embora eu tenha dúvidas se o PIB per capita actual é real (um PIB construído sobre dívida é um PIB contabilístico). Isso significa que um pobre é hoje alguém que, por exemplo, não come regularmente três refeições por dia (se comer apenas duas refeições, já é pobre); ou, se um indivíduo não tem um computador pessoal ou um automóvel, é pobre. Hoje, um pobre é essencialmente um indivíduo que não tem acesso suficiente à sociedade de consumo. Estamos longe da pobreza do pé rapado — embora possam existir casos isolados de pobreza real.

Portanto, o conceito de pobreza “evoluiu”. Se o PIB continuar a aumentar, um pobre será, no futuro, por exemplo alguém que tem um automóvel em segunda mão (em vez de comprar novo), não tem televisão LCD de 80 polegadas em casa, e não tem dinheiro para alimentação VEGAN. Nessa altura, a Esquerda virá para a rua reclamar contra a pobreza através do slogan “nutrição Vegan para todos!”. Ou seja, a luta de classes não tem um fim senão transformando toda a gente em pobres. E quando toda a gente for pobre, só então a Esquerda dirá que “somos todos iguais”.
Em vez de “pobreza real”, devemos utilizar hoje o conceito de “pobreza relativa”. Se há ricos, há sempre os que são mais pobres do que os ricos.
A Esquerda vive daquilo que é considerado “pobreza relativa” a cada momento, mesmo que a pobreza seja não comer Vegan. Por isso, a Esquerda tem que fomentar o valor cultural da pobreza relativa; sem pobres relativos, a Esquerda perde o seu valor de mercado. A Esquerda vende, no mercado político, o conceito de “pobreza relativa”. Por isso é que a Esquerda é contra a existência do Banco Alimentar Contra a Fome.
Para aumentar a pobreza relativa em circulação na sociedade, por exemplo, a Esquerda transformou a instituição do casamento em uma espécie de “amizade permitida pela polícia”; desvalorizando o casamento, a Esquerda garante que os índices de pobreza relativa se mantêm na sociedade.
Hoje, já não é a pobreza real que mata, mas antes é o estilo de vida das pessoas.
Por isso, a Esquerda pretende que as pessoas tenham um estilo de vida tão desbragado e excêntrico quanto possível, em nome de uma suposta “autonomia do individuo” que conduz, por exemplo, ao aumento de filhos ilegítimos (procriação medicamente assistida, "barriga de aluguer", aumento astronómico de mães solteiras, etc.).
Reforçar o valor cultural do casamento natural não interessa à Esquerda, porque isso iria diminuir a quota de pobres relativos na sociedade. Em vez do valor do casamento, a Esquerda prefere instituir os “direitos de braguilha”, criando estilos de vida esdrúxulos que fomentem a pobreza relativa na sociedade.
Por exemplo, a Esquerda pretende que a SIDA se espalhe o mais possível na sociedade (através dos “direitos de braguilha”, por exemplo, com o conceito de “famílias alternativas”), para que depois exista o direito dos pobres relativos a programas gratuitos de tratamento da SIDA. Pretende legalizar as drogas para que, depois, os pobres relativos que resultem do consumo de drogas possam ter apoio financeiro do Estado.
Transformando a sociedade em um manicómio, a Esquerda cria malucos para depois os poder tratar.

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