sábado, 18 de junho de 2016

A ilusão da esquerda com o Brexit

Carlos Guimarães Pinto in O Insurgente


Anda por aí algum entusiasmo entre a esquerda portuguesa perante a possibilidade de uma saída do Reino Unido da União Europeia permitir mais desvarios internos. Esse entusiasmo resulta de uma fraca compreensão da origem da insatisfação de alguns países do norte europeu com a União Europeia. Os ingleses, e outros, não estão insatisfeitos com a União europeia porque esta impõe austeridade aos países do Sul. Entre outros aspectos mais relevantes (como imigração ou a legislação europeia), os países do norte da Europa estão insatisfeitos por a UE não ser mais dura com os países do sul. O eleitorado (aqui convém sublinhar que é acima de tudo o eleitorado e não Schauble ou Merkel) dos países do norte da Europa não quer pagar mais bail-outs, não quer subsidiar mais os défices de Portugal, Espanha e Grécia. A fonte da insatisfação de Alemães, Holandeses, Finlandeses (já para não falar de países do leste da Europa) não é com a austeridade imposta aos países do sul, mas com a benevolência com que, a seus olhos, países como Portugal e a Grécia são tratados.
Se o Reino Unido sair da União Europeia, a União Europeia fará tudo para manter os países escandinavos (os próximo na fila para saír – ver aqui, aqui, e aqui) satisfeitos. Convencê-los a ficar não passará por mais benevolência com os países do sul, com mais atirar de dinheiro dos contribuintes desses países para as contas públicas da Grécia e de Portugal. Será precisamente o oposto. A União Orçamental, já hoje politicamente improvável, passará a ser impossível.Não se sabe mesmo se prescindir de 1 ou 2 países do sul para não os ter que subsidiar eternamente até não será um custo que a União Europeia estará disposta a incorrer para manter o resto da União Europeia, principalmente a Zona Euro, unida.
É preciso ter muito cuidado com aquilo que se deseja.

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