terça-feira, 7 de junho de 2016

E assim vai a "direita" em Portugal

Orlando Braga

Ao ler um artigo do José António Saraiva, ia concordando com ele até que surgiu o seguinte parágrafo:
“Neste momento, Portugal só tem dois caminhos: ou sair da UE e regressar ao escudo(com a extrema-esquerda e os sectores esquerdistas do PS a liderar, assumindo uma vocação terceiro-mundista), ou continuar na UE e aceitar a globalização. Mas, para isto, é preciso inverter rapidamente a marcha”.
Ou seja, para o José António Saraiva, a Suíça (por exemplo; ou a Dinamarca, ou a Noruega, ou a Inglaterra, etc.) é um país do terceiro-mundo — porque a Suíça não adoptou o Euro e não pertence à União Europeia. Segundo o José António Saraiva, a Suíça é um país controlado pela Esquerda radical e que não tem futuro.

O que se passa é que uma certa “direita” já desistiu de Portugal, e projecta na União Europeia e no Euro a salvação do país (o novo Encoberto). Faz parte desta “direita” o Partido Social Democrata, o CDS/PP, o José António Saraiva como o João César das Neves. Essa direita já não acredita em Portugal, e raciocina assim:

“Dado que a Esquerda radical — incluindo uma parte do Partido Socialista — tem grande votação em Portugal, o país é um caso perdido. A única forma de salvar Portugal é fazer com que as orientações políticas e económicas sejam impostas coercivamente a partir da estranja.”
Porém, e simultaneamente, essa “direita” do José António Saraiva, que critica o grande Poder do Estado na sociedade, é a mesma que defende que as escolas privadas devem ser financiadas pelo Estado. 
Podemos chamar à “direita” do José António Saraiva a “direita esquizofrénica”.

Essa “direita” não conseguiu convencer o povo acerca das virtualidades do Estado mínimo — porque, o povo não é burro e verificou que, para essa “direita”, o Estado só deve ser mínimo para os outros: para quem pertence ao clube privado dessa “direita”, o Estado é máximo!. E foi assim que o Bloco de Esquerda, que estava em extinção, atingiu os 10% nas últimas eleições.
Precisamos de uma nova Direita que acredite em Portugal; que pense na União Europeia e no Euro como meios para atingir fins, e não como fins em si mesmos. A Esquerda radical só pode ser derrotada se existir uma oposição que acredite em Portugal.

Sem comentários: